quinta-feira, 3 de março de 2016

Preso por ter cão...


Sabes que, se os princípios são geralmente respeitáveis, as práticas nem sempre são adequadas.

No entanto, a maior parte dos que te vão avaliar são pessoas que confundem princípios com práticas. Vão dizer que, por não seguires algumas práticas, não respeitas nenhuns princípios.


Apenas uma ínfima parte vai achar a tua atitude inteligente.
Todos os outros te vão achar apenas arrogante.


Pois… segue a tua vida, não te preocupes com isso… e tal… com o que, para eles, confirmas essa avalia
ção!


quarta-feira, 2 de março de 2016

Humildade



A humildade pratica-se; não se prega.
(Com as minhas desculpas a quem presume de continuar humilde depois de recomendar humildade aos outros).
A humildade exterior, aquela que se manifesta por palavras mas não se sente, só tem um nome: hipocrisia.
É aqui que eu, arrogante defensor da palavra expressa, dou valor ao silêncio. O silêncio merece o benefício da dúvida.

(Há muito equívoco à volta daquilo que é a humildade.)

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Lantejoulas



Para a manipulação ser eficaz, ela deve vir vestida a (de) rigor.
Só a nudez é imparcial, mas, infelizmente, ela não está permitida.
Ganha quem conseguir comprar o vestido mais vistoso.



Evoluções



Depois de uma carreira política mal sucedida, meteu-se a comentador e finalmente reformou-se como presid…

(Sorte a nossa, se a crença dos espanhóis estiver certa, eles que não gostam de ver bons princípios aos filhos…)
Também me lembrei daquilo do "Quem não sabe fazer ensina…", coisa que não honra nada os professores, mas só aparentemente: é que, para ensinar bem, não é preciso saber fazer, embora possa ajudar, dizem.


Deuses sem querer



Aquelas histórias de quando os deuses baixam à terra dos mortais…
Elas são contadas para tornar os deuses ainda mais divinos e imortais.
O deus de carne e osso que baixou à terra (da qual na verdade nunca saiu) nem sequer fez aquilo com segundas intenções (porque, em verdade, não é um deus: os deuses não fazem nada sem segundas intenções, porque o que não tem segunda intenção não pode ter significado e os deus não fazem nada insignificante). E toda a gente sabe que, no mundo das artes mágicas, o encenador manda muito mais do que o actor, que é quem fica com fama de deus...


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Ver bem



Os despropósitos, antes de serem deitados fora, é melhor observá-los duas vezes — ou mesmo três.



Pintura de Hieronymus Bosch examinada com raios X.


Mas toma cuidado com o exagero: se examinares demasiado, acabas por encontrar o que lá não foi posto!






 Teste de Rorschach


domingo, 28 de dezembro de 2014

Organogramas



1.       Por mais termos sonantes terminados em "ing" ou "ance" que usem, os tipos que se dedicam predominantemente à actividade financeira não deixam de ser aquilo que sempre foram: usurários.



2.      Fazer disso uma actividade é legal e até necessário, porque os movimentos financeiros são — pelo menos em teoria, porque na prática é outra a história — uma ferramenta capaz de ajudar os capitais acumulados inactivos a tornarem-se produtivos ao serem aplicados noutro lado.



3.      Ultimamente — ajudados pela nossa pacóvia tendência para o deslumbramento (de que a preferência muitas vezes não justificada pelo inglês é apenas um sintoma) — fomos aprendendo a considerar a actividade financeira como sendo a única que merece destaque, a profissão por excelência.



4.      Casualmente — ou talvez não — fomos deixando esquecidos os verdadeiros criadores de riqueza, aqueles que sujam as mãos na indústria ou na agricultura. Hoje é considerado indicador de evolução de um país o ter a sua população maioritariamente empregada nos serviços. Parece uma divisão inocente, mas não é. Ou propositadamente criada ou habilmente aproveitada, essa divisão funciona a favor da imagem daqueles que se dedicam ao "serviço" por excelência, o serviço do dinheiro, rei e senhor incontestado de todos os tempos e de todos os mundos.

 

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Megafones



Relativizar expressamente as declarações, eventualmente menos felizes, de uma pessoa bastante idosa pode não ser o mais correcto. Mas há uma forma que não contraria as normas da boa educação: é não dar-lhes demasiado eco, relativizar destacando aquilo que realmente importa.

Mas já sabemos o que importa aos que fazem eco e amplificação...



Paus-de-cabeleira


O poder mudou de mãos. Mudou para a direita.
A troika serviu apenas para dar a imagem de que havia uma arbitragem externa, o que que sempre apazigua um bocado a contestação.



sábado, 30 de agosto de 2014

Timeline


E se insperadamente surge uma foto que é capaz de reabrir páginas antigas do Grande Livro?
Essa foto leva-te para um capítulo bastante antigo, lá para o terço inicial do volume. Então, dás-te conta de que o capítulo ficou bastante incompleto; de que tem, no final, bastantes páginas em branco, páginas que talvez chegassem (chegavam, de certeza) para escrever um outro livro. Mas apercebes-te também de que as páginas que ficaram em branco já não podem ser escritas agora, tal como não podes reescrever as restantes. O Livro só se escreve uma e definitiva vez. No entanto, podes voltar atrás para ler o que está escrito ou reparar nas páginas em branco. Essa viagem no tempo até é capaz de condicionar o conteúdo das páginas que ainda falta escrever e é, aliás, o assunto da página que neste momento está a ser redigida. É certo que sempre podes tentar reescrever novas páginas daqui para a frente, a fim de  substituir as que ficaram em branco. E terás de lembrar-te também de que, por cada página escrita, ficam sempre muitas outras hipotéticas páginas por escrever.
É também essa a razão por que todos os Livros são diferentes, mesmo quando certas páginas parecem estar a contar a mesma história: parecida, mas diferente, porque o narrador é outro e também tem o seu próprio Livro, é bom não esquecer. Nele talvez figures como um capítulo, ou uma simples nota de rodapé. Ou talvez a passagem do tempo tenha feito cair as páginas onde constavas.