sábado, 17 de setembro de 2016

Jogar com as palavras


Algum minimalismo — não todo — não é mais do que adaptar o estilo à carteira.
A austeridade, quando não se pode fugir dela, não é austeridade; é pobreza mesmo.


terça-feira, 19 de abril de 2016

Lavagens


O gajo que escreveu os dicionários era convictamente de direita.
Repare-se na quantidade de palavras "positivas" que são sinónimos de direita.
Nem é preciso referi-las.
Quanto à esquerda, basta saber que "sinistro" é sinónimo de "esquerdo"...
Já alguém se insurgiu contra esta desigualdade de "género"?

Os quixotes da pureza linguística têm muito que esbracejar.
Não diziam que  quem faz a Língua é o povo? Pois o povo, inculto, racista e tendencioso, vai continuar a descobrir formas de as palavras terem conotação. Se não tiverem, para que as queremos?
  

terça-feira, 22 de março de 2016

Incómodos


Não há segurança sem restrição de liberdades.
Os inimigos da tua liberdade também se aproveitam dessa mesma liberdade para prepararem os ataques que te fazem.
Com inteligência, a prevenção até se pode fazer com um mínimo de restrições e apenas alguns incómodos.
O que não se consegue evitar é a proliferação dos que vêem em cada incómodo uma restrição. Isto, por um lado.
Ou, pelo outro, o avanço daqueles que sonham em restringir tudo, se possível sem incomodar muito.


quinta-feira, 3 de março de 2016

Preso por ter cão...


Sabes que, se os princípios são geralmente respeitáveis, as práticas nem sempre são adequadas.

No entanto, a maior parte dos que te vão avaliar são pessoas que confundem princípios com práticas. Vão dizer que, por não seguires algumas práticas, não respeitas nenhuns princípios.


Apenas uma ínfima parte vai achar a tua atitude inteligente.
Todos os outros te vão achar apenas arrogante.


Pois… segue a tua vida, não te preocupes com isso… e tal… com o que, para eles, confirmas essa avalia
ção!


quarta-feira, 2 de março de 2016

Humildade



A humildade pratica-se; não se prega.
(Com as minhas desculpas a quem presume de continuar humilde depois de recomendar humildade aos outros).
A humildade exterior, aquela que se manifesta por palavras mas não se sente, só tem um nome: hipocrisia.
É aqui que eu, arrogante defensor da palavra expressa, dou valor ao silêncio. O silêncio merece o benefício da dúvida.

(Há muito equívoco à volta daquilo que é a humildade.)

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Lantejoulas



Para a manipulação ser eficaz, ela deve vir vestida a (de) rigor.
Só a nudez é imparcial, mas, infelizmente, ela não está permitida.
Ganha quem conseguir comprar o vestido mais vistoso.



Evoluções



Depois de uma carreira política mal sucedida, meteu-se a comentador e finalmente reformou-se como presid…

(Sorte a nossa, se a crença dos espanhóis estiver certa, eles que não gostam de ver bons princípios aos filhos…)
Também me lembrei daquilo do "Quem não sabe fazer ensina…", coisa que não honra nada os professores, mas só aparentemente: é que, para ensinar bem, não é preciso saber fazer, embora possa ajudar, dizem.


Deuses sem querer



Aquelas histórias de quando os deuses baixam à terra dos mortais…
Elas são contadas para tornar os deuses ainda mais divinos e imortais.
O deus de carne e osso que baixou à terra (da qual na verdade nunca saiu) nem sequer fez aquilo com segundas intenções (porque, em verdade, não é um deus: os deuses não fazem nada sem segundas intenções, porque o que não tem segunda intenção não pode ter significado e os deus não fazem nada insignificante). E toda a gente sabe que, no mundo das artes mágicas, o encenador manda muito mais do que o actor, que é quem fica com fama de deus...


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Ver bem



Os despropósitos, antes de serem deitados fora, é melhor observá-los duas vezes — ou mesmo três.



Pintura de Hieronymus Bosch examinada com raios X.


Mas toma cuidado com o exagero: se examinares demasiado, acabas por encontrar o que lá não foi posto!






 Teste de Rorschach


domingo, 28 de dezembro de 2014

Organogramas



1.       Por mais termos sonantes terminados em "ing" ou "ance" que usem, os tipos que se dedicam predominantemente à actividade financeira não deixam de ser aquilo que sempre foram: usurários.



2.      Fazer disso uma actividade é legal e até necessário, porque os movimentos financeiros são — pelo menos em teoria, porque na prática é outra a história — uma ferramenta capaz de ajudar os capitais acumulados inactivos a tornarem-se produtivos ao serem aplicados noutro lado.



3.      Ultimamente — ajudados pela nossa pacóvia tendência para o deslumbramento (de que a preferência muitas vezes não justificada pelo inglês é apenas um sintoma) — fomos aprendendo a considerar a actividade financeira como sendo a única que merece destaque, a profissão por excelência.



4.      Casualmente — ou talvez não — fomos deixando esquecidos os verdadeiros criadores de riqueza, aqueles que sujam as mãos na indústria ou na agricultura. Hoje é considerado indicador de evolução de um país o ter a sua população maioritariamente empregada nos serviços. Parece uma divisão inocente, mas não é. Ou propositadamente criada ou habilmente aproveitada, essa divisão funciona a favor da imagem daqueles que se dedicam ao "serviço" por excelência, o serviço do dinheiro, rei e senhor incontestado de todos os tempos e de todos os mundos.