quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Moinhos de água da Ribeira de Eiras



PEQUENO RESUMO SOBRE OS MOINHOS DE ÁGUA


Os moinhos de água são engenhos accionados pela força motriz da água. Têm presença em Portugal ao longo de vários séculos. São conhecidos moinhos com rodízio a partir do século 2 a.C., invenção da engenharia Grega. Assim sendo, são construções com mais de 2200 anos.
Quase sempre, são construídos com materiais existentes no local; a pedra para as paredes e a madeira para vigas e barrotes de apoio na cobertura.
Estão localizados nas margens dos rios ou ribeiras com caudal suficiente para os mover.
A água é conduzida para o moinho através de levadas.
O declínio
Os moinhos de água encontram-se presentes por todo o território nacional com maior incidência no norte e centro do País, pois estas são as regiões onde os rios e ribeiras reúnem melhores condições (maior declive e mais caudal de água). Em meados do século passado (1950/1960) com a implantação das moagens industriais, accionadas a electricidade ou a motores de combustão, foi alterada por completo a actividade dos moinhos de água. Os moinhos iniciaram uma paragem forçada, os açudes deixaram de fazer represa, as levadas e agueiras entopem, os rodízios a seco empenam e deformam-se.
Actualmente não há continuidade na profissão de moleiro. Poucos sabem picar as mós, meter água, acertar cunhas e saber da finura da farinha
Recordações
Hoje, há poucos moinhos a moer, se o fazem, certamente foram recuperados para a história “os moinhos de água em Portugal”. Os meus avós exerceram a profissão e mestria de moleiros por mais de 60 anos (1910/1970). Os meus avós tiveram 4 filhos, por esse motivo, o moinho foi dividido em 4 semanas (cada filho tinha uma semana de moinho).
Os filhos; o meu pai e tios, pouco moeram. Eu, ainda criança, acompanhei por vários anos a laboração do “nosso moinho”, muitas vezes adormeci ao som/barulho do movimento das mós e do bater suave da água no rodízio. Vi a finura e a pureza da farinha. Comi pão de milho, trigo e centeio com farinha do nosso moinho. Presentemente o moinho está degradado e impossível de restaurar, restam apenas 4 paredes e pouco mais.
Esta é a réplica fiel, recordação do meu moinho:



Vocabulário


1- Açude; construído em pedra, serve para represar a água do rio ou da ribeira
2- Levada; canal com origem no açude, transporta a agua até á represa.
3- Represa; local junto ao moinho onde é recebida a água da levada.
4- Agueira; canal condutor de água, passa por baixo do moinho e desce da represa até ao rodízio.
5- Cubo; cabouco na parte inferior do moinho onde está o rodízio
6- Seteira; peça existente ao fundo da agueira (tubo por onde sai a água)
7- Zorra; peça móvel de apoio ao rodízio (fica por baixo do rodizio)
8- Pejadouro; Tábua/calha que comanda a direcção da água (faz parar o moinho)
9- Disparado, comando do pejadouro, é comandado dentro do moinho, manual ou por falta de grão na moega
10- Rodízio; roda com movimento horizontal (ligado á mó por um veio)
11- Pedra; mó em granito (mó inferior fixa, mó superior móvel)
12- Mó; tem aproximadamente 35 anos de duração
13- Cunhas de agulha; tacos reguladores para controlo da finura da farinha
14- Moega, peça em madeira onde é colocado o grão para moer,fica por cima da mó
15- O grão cai do moega para o quelho. No quelho prende-se o cadelo/roda em cortiça ou madeira, que, em contacto com a parte superior da mó faz trepidação, e assim, o grão cai para o olho da pedra, isto de acordo com o registo. O grão é esmagado/moído e transformado em farinha.
16- Maquia é o pagamento do serviço para moer o grão. De um modo geral, por cada 10 litros de grão era maquiado com 1 quilo de farinha.
17- Medidas tradicionais do moinho são; o alqueire, meio alqueire e a quarta, (são peças em madeira e com capacidade para 12 quilos, 6 quilos e 3 quilos respectivamente.
18- O moleiro tem como outros utensílios, a balança decimal, a peneira, o crivo, a massaneta e pico a vassoura e a pá etc.
19- No interior do moinho pode ver-se; a cama, a lareira, candeias de azeite, talegos, medidas várias, roupa, louças, cântaro etc. etc.


Obs.
Beira Baixa.
Na ribeira de Eiras (afluente do rio Tejo) numa extensão de 15 quilómetros existiam em 1950 catorze moinhos de água. O último a funcionar (moer) foi em 1978. Em 2008 não há qualquer moinho. Tudo foi abandonado e destruído pelo tempo.
Hoje só resta esta réplica do meu moinho “o moinho do Vale de Ferreiros”


Artur Gueifão/2008

Texto e imagem da autoria de Artur Gueifão.
Visitar o site de Artur Gueifão
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Notas minhas:

rodízio

do Lat. * roticinu, em forma de roda
s. m., - peça do moinho em cuja extremidade estão as penas (travessas) que a água põe em movimento, promovendo o andamento da mó;

(ver fonte)


Alguns itálicos foram introduzidos por mim, bem como algum arranjo gráfico do texto (parágrafos).

Alguns dos termos utilizados em “Vocabulário” poderão ter ligeiras diferenças ortográficas que não prejudicam a sua compreensão, p.e. talego por taleigo.
Não consegui confirmar o termo massaneta (por maçaneta ?).

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Oliveiras históricas em transplante



A foto acima foi obtida em 2007, na zona de Badajoz.

O tamanho dos 3 exemplares que se encontram em cima do camião deve dar uma ideia da sua antiguidade.



sexta-feira, 8 de julho de 2011

A idade das oliveiras


Por estes dias, deu-se destaque a uma oliveira existente em Santa Iria de Azóia, que foi considerada a mais antiga em Portugal.


No texto do artigo, pode ler-se que o método de cálculo aplicado pelos investigadores da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) para determinar a idade destas oliveiras muito antigas e ocas “permite datar as árvores através de um modelo matemático que relaciona a idade com as características dendrométricas do tronco (raio, diâmetro ou perímetro). Desta forma é possível proceder à sua datação por um processo extremamente rápido, não destrutivo e exequível mesmo em árvores ocas”.

Na freguesia de Mouriscas, concelho de Abrantes, existe uma oliveira capaz de competir com a de Santa Iria. E, por sinal, trata-se de um exemplar classificado de interesse público:


Tenho algumas fotos dessa oliveira, como, por exemplo, a que apresento:



A localização exacta, no GoogleMaps, é a seguinte:


Se as dimensões do tronco servem como indicador para calcular a idade destas oliveiras, tal como foi feito para a de Santa Iria de Azóia, então a de Mouriscas terá (pelos cálculos feitos sobre a foto, e tendo como escala as dimensões do objecto que nela figura e na ausência de medição directa) um diâmetro na base de cerca de 12 metros. A de Santa Iria tem 10 metros, medidos também na base.

Assim, a ser válido o método de cálculo dos investigadores da UTAD, e assumindo que as condições climáticas eram semelhantes, a árvore de Mouriscas seria mais antiga.



Nota: Este post foi editado para reposição de foto. A anterior havia desaparecido por ter sido eliminada no site de armazenamento ImageShack.



Comentários:


Luiz disse a Tue, 12 Jul 2011 23:28:22 GMT:
Recebi este comentário no Facebook, com informações interessantes, e ao qual tentei responder:

Cristina Mendes:

Luiz Alexandre, na verdade a oliveira de mouriscas é muito interessante e terá de certo uma idade respeitável e quem sabe mais de 2850 anos - para saber ao certo a idade são necessárias as três medidas. Se tiver mesmo interesse em apurar a idade sugiro que entre em contacto com "Oliveiras Miilenares" para saber as condições de certificação .


Luiz Alexandre:

Cristina Mendes, fico-lhe imensamente grato pelos seus esclarecimentos, dos quais tentarei fazer eco. O meu interesse particular não vai além do que poderia ter (ou deveria) qualquer outro cidadão.
Evidentemente as minhas observações em nada pretendem fazer diminuir o interesse sobre a oliveira de Santa Iria. Tem sido um caso mediático interessante, que seria bom motivasse as pessoas e as instituições para a situação de muitos olivais antigos que vão sendo arrancados para dar lugar sabe-se lá a quê...
Há um negócio relacionado com isto, levando os exemplares antigos a serem replantados em quintas e urbanizações de luxo, o que lhes permite perdurar, mas seria bom que as árvores não acabassem por secar nos viveiros de transplante.


Luiz disse a Tue, 12 Jul 2011 23:42:19 GMT:
http://www.oliveirasmilenares.com.pt/

(Endereço do site da empresa que está por detrás desta iniciativa, em associação com a UTAD-Universidade de Trás-os-Montes e Alto-Douro)

É interessante que esta empresa tenha recorrido a esta forma de marketing que nos atrai para uma perspectiva ecológica e conservacionista.
O transplante destas árvores dos locais onde possam estar ameaçadas para outros onde seja possível assegurar a sua sobrevivência em nada vai contra as leis da natureza. A oliveira não é uma espécie silvestre que nasça e se propague por onde lhe apetece. A sua História está ligada à História do Homem e do Mediterrâneo. Deve ser raro o caso de algum exemplar que não tenha sido plantado pelo Homem.





"Quem dá e torna a tirar, ao inferno vai parar".
É o ditado. Mas, neste caso que está a dar que falar por estas bandas, 
bem vistas as coisas, nem sequer se aplica...
Já nem os provérbios são o que eram...
O que fica por saber é quem deveria ir para o inferno.
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Para alguém mais curioso, sempre adianto que é um caso semelhante, pela sua natureza, a este outro:


Comentários:

Paulo José Matos disse a Tue, 06 Sep 2011 08:08:37 GMT:
É caso para dizer ainda que " A culpa morre solteira!"


quinta-feira, 7 de julho de 2011

pois... desculpas...

Mais vale tarde que nunca, diz o ditado.
Vem esta a propósito de um pedido de desculpas que é devido (espero que com juros comedidos) aos Exmºs amigos que tiveram a paciência de continuar a recomendar-me.
Eu, pela minha parte, por lá tenho passado a visitar, ainda que geralmente entrando mudo e saindo calado.
Não há-de ser nada...
E promessas tímidas de maior assiduidade, aqui.

terça-feira, 29 de março de 2011

Caminhada Arribas do Tejo (IV)

No final da íngreme descida do Pintalgaio

Caminho plano para recuperar forças

Confraternização com uns pescadores

Um descanso para os olhos

segunda-feira, 28 de março de 2011

domingo, 27 de março de 2011

Caminhada Arribas do Tejo (II)

Logo à saída de Belver, olha-se para trás e...

Lagar de azeite em ruínas (Lagar da Fraga)

Junto aos moinhos, cruzamo-nos com este "Adamastor"

O castelo lá ao fundo

Cascatas num dos açudes

Ruínas do "Lagar Caiado":

Caminhada Arribas do Tejo (I)

A chegada dos participantes

A rua principal, antes da partida

Um briefing antes da partida...

Percurso bem sinalizado, boa disposição...

Há que esperar um pouco, antes de atravessar a ribeira.

Impossível não parar para dar uns clicks nas cascatas...

Este troço da ribeira tinha vários moinhos e lagares, com os respectivos açudes e levadas

Subindo o rochedo, antes da ponte "à Indiana Jones"...

A famosa ponte. 
Para atravessar, é conveniente não olhar para baixo.
Não é muito alta, mas oscila...

Chegando à Torre Fundeira: 

Atravessando pequenas hortas e vinhas, na Zona da Torre Fundeira:



terça-feira, 8 de março de 2011

Estação arqueológica de Vale de Junco



O local está assinalado em mapas como Estação Arqueológica de Vale de Junco (Ortiga, Mação).
Está situado junto ao Tejo, entre a povoação de Ortiga e a estação de caminho-de-ferro de Alvega-Ortiga.
A povoação que se vê ao fundo, na foto, é Casa Branca, na freguesia de Alvega.
Aritium Vetus, povoação celta ou cidade romana, esteve algures por aqui.
Lá em cima, no outro vale à esquerda (que não aparece na foto), são visíveis os vestígios de uma  represa ou barragem romana (Monte da Represa, Gavião).