quinta-feira, 24 de maio de 2007

Amargura (Homenagem à amizade)


Horas amargas, palavras doces, ilusões;
A tudo vou, sem um queixume, submeter
Escasso estro. (Pouco tenho que perder.)
Mas lá se me vão, em tal empresa, meus brasões…


À nobre Dama que fez tais proposições
Vou tentar, ainda assim, surpreender.
Não cuido sequer – nem podia – de parecer
Que poeta sou (nem escravo de paixões)


Tudo não passa d’ uma simples brincadeira,
Quase surgida como se fora por acaso.
Se acaso existe na vida, tal condição


Há-de dar-me, espero eu, dessa maneira
(Sem compromisso, nem espera, nem prazo)
Força, Coragem, Sorte e alguma Inspiração.


O "soneto" acima publicado foi, num outro blog, dedicado a 'amargura'.
Devido à existência de gente sem o mínimo sentido de educação, escrúpulos, consciência cívica (o que se quiser), também serviu de pretexto para ataques doentios de tarados que por aqui continuam.
Por causa desses ataques, a pessoa que publicava esse blog, um dos mais visitados desta comunidade, decidiu retirar-se.
Volta agora a publicar-se aqui, porque o que foi uma brincadeira, resultado de uma aposta, é agora uma homenagem.
Volta, se o entenderes, e quando quiseres.
Tens aqui um amigo.

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quarta-feira, 25 de abril de 2007

Água sobre a fogueira


Tal como escreveu António Aleixo – que não tinha ‘vistas largas’ ,


Eu não tenho ideias novas
nem programa definido
Trago somente umas trovas
desprovidas de sentido

(e assim por diante)…

Mas tenho um projecto, vago, de um mundo melhor. Não é um esquema rigoroso, mas antes um ‘croquis’, uma visão generalizada, para pintar a traços largos.
Também aqui, a filosofia não é de escola.
Pude analisar-me e encontrei uma curiosa contradição: tenho aversão a tudo quanto é apenas teórico, apesar de, durante muito tempo, ter acreditado que os jogos intelectuais eram a minha predilecção. E, por isso mesmo, alimentei o sonho de um mundo fantástico e utópico, o mundo da paz, da prosperidade e do desafogo, e sobretudo da horizontalidade social. Eu não me tinha apercebido de uma outra espécie de leis físicas, como aquela em que, paradoxalmente, ao descer com toda a facilidade por um plano inclinado, se pode ir cair num ponto mais alto. Descobri que descer não é sempre para baixo.
Especulei sobre aquilo que toda a gente já tinha especulado, e creio que hei-de continuar a fazê-lo, talvez durante toda a minha vida. Mas, como a maioria das pessoas faz o mesmo – algumas delas até com bastante sucesso, pelo menos aparente –, penso que seguir involuntariamente as passadas dos outros não é um desastre, nem motivo para perder a auto-estima. Ganhei, com isso, a certeza de não ser um génio frustrado, e de ser um homem vulgar, desconhecido, egoísta, limitado por dentro e por fora, mas não completamente manietado nem amordaçado.
Sinto que é motivo de felicidade esta parte da cronologia da minha vida. Nasceram-me os dentes do siso ao som das marchas da revolução, de discursos cheios de promessas, e de gritos recalcados, de quem esteve muito tempo sem poder falar.
Mas, quando as gengivas deixaram de me doer, já se escutavam os últimos compassos das marchas, os discursos eram menos inflamados, e os gritos davam lugar a resmungos. O resmungar é a prova de que esta revolução falhou nos objectivos que se propunha alcançar.
Mas – a adversativa nem sempre é adversa –, se não posso entrar no Céu, sempre posso ter uma conversa com S.Pedro. Nem todos os cravos murcharam. Florescem alguns no espírito de quem soube compreender. Não temos um jardim, mas temos, ao menos, uma jarra com flores. Uma fogueira pode apagar-se, mas, entre as cinzas, fica sempre algum tição. Basta uma aragem e, se ainda houver um pouco de lenha, aí temos de novo uma fogueira. Assim é a nossa revolução: um tição no meio das cinzas. O sopro, e o acarretar da lenha, têm de ser coisa colectiva.
Continuando com a analogia, sabemos que a fogueira não se apagou por si mesma. Um grupo de animais polares, que só apreciam o frio, resolveu deitar uns baldes de água sobre o que restava do fogo, pedindo, para isso, a colaboração dos que o tinham feito para se aquecerem. Não se sabe como nem porquê, mas estes acederam a colaborar. E aí temos nós um grupo de pessoas enregeladas que, inexplicavelmente, continuam a deitar água sobre os restos da fogueira que podia aquecê-las. Ter-lhes-iam dito, segundo parece, que o frio é mais saudável do que o calor de uma fogueira…
(Eu espero que não percam o fôlego aqueles que, do outro lado, continuam a soprar o fogo. Mas receio que algum vendaval possa espalhar as cinzas, ajudando assim os carregadores de baldes de água.)
Pensei fazer um filme de animação sobre esta história da fogueira, mas não tenho os meios. Os homens da água é que fabricam e vendem as câmaras e as películas…

(texto não datado, escrito há mais de vinte anos)

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Comentários

# re: água sobre a fogueira

[Remover este Comentário] Wednesday, April 25, 2007 11:46 PM by siber
#
camionista, 25 abraços !
Voltarei ainda outra vez.
Cumprimentos
alvaro palma

# re: água sobre a fogueira

[Remover este Comentário] Thursday, April 26, 2007 12:04 AM by Anahory
Um texto interessante mas nada fácil de comentar e como estou cansada vou apenas deixar um pequeno comentário.
Se as fogueiras tivessem ardido sem rumo corriamos o risco de hoje só termos mesmo cinzas e nada de jarras com flores.
Beijos
Kiki

# re: água sobre a fogueira

[Remover este Comentário] Thursday, April 26, 2007 12:11 AM by camionista
kiki :
Moderar a intensidade do fogo, sim.
Apagá-lo, não.

# re: água sobre a fogueira

[Remover este Comentário] Thursday, April 26, 2007 12:32 AM by FELICE
Olá Camionista
Li o seu texto. Não é uma questão de desacordo. Mas a água apaga a fogueira.
Sabe, hoje, não vejo outra coisa, do que 25 de abril, é claro importante. Porém, tantos cravos vermelhos, que é flor que não gosto. Já as cravinetas com o seu cheiro me é mais airoso.
Sabe, eu gostei imenso de ler, reler, e sempre que possível volto a ler: "Felizmente, há luar!"
Talvez, não tenha sido muito coerente na minha afirmação, mas hoje, por aqui só se vê repetição de posts em nomes diferentes.
Por isso, que fique aqui, o que estou a ouvir:
[vídeo entretanto bloqueado]

Smile

# re: água sobre a fogueira

[Remover este Comentário] Thursday, April 26, 2007 9:48 AM by lupino
ó amargura fugiu afinal tinha razao, nãot inha?

# re: água sobre a fogueira

[Remover este Comentário] Thursday, April 26, 2007 12:45 PM by Anahory
Olá Camionista
Mas o fogo não foi apagado....
Felizmente foi mudado o rumo que lhe quiseram impor!!!
Beijos
Kiki

# re: água sobre a fogueira

[Remover este Comentário] Thursday, April 26, 2007 3:13 PM by ensinasola
Apesar de tudo, de tanta água que quiseram lançar sobre o fogo, muita coisa mudou. Para grande parte dos portugueses mudou para melhor, embora isso custe a alguns que gostariam de viver como antes de Abril de 1974, conservando os seus exclusivos privilégios.

# re: água sobre a fogueira

[Remover este Comentário] Saturday, April 28, 2007 8:24 PM by maris
oioi...
Realmente um post lindo...
Teoria todos temos! A prática é bem mais dificil...
Mas é necessário acreditar que vamos para um lugar melheer, que lutamos por uma sociedade mais justa e igual...
Voltei á utopia!

# re: água sobre a fogueira

[Remover este Comentário] Sunday, April 29, 2007 2:19 AM by avomilu
avomilu
camionista
Há muito que não sabia de ti, tens esquecido esta avó que gosta do seu neto? agora venho comentar o teu post, adorei, caramba escreves mesmo bem, eu estou contigo a fogueira não se apagou, nem se apagará, haverá sempre gente que não deixará apagar. Beijinhos da avó que tem saudades do amigo milu

# re: água sobre a fogueira

[Remover este Comentário] Sunday, April 29, 2007 10:46 PM by anatarouca
Camionista,
Bonito texto sobre a revolução dos cravos, com a metáfora da fogueira. Já escrevia muito bem, há mais de 20 anos.
Bjs
Ana T.

sábado, 31 de março de 2007

Abril é já amanhã



(do meu jardim)

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Comentários

# re: abril, é já amanhã

[Remover este Comentário] Saturday, March 31, 2007 3:16 PM by amargura
Boa tarde Camionista,
Como eu sou sincera: nunca gostei de cravos, tal como não gosto de rosas vermelhas ... A flor ao lado parece mais simples, apesar de rosa, mas tem mais encanto, no meu ponto de vista bastante humilde.
E é verdade no dia 1 de abril é o dia das mentiras: em França chama-se le "Poisson D'Avril"... Tenho de pregar algumas mentiras ...
Ainda bem que li este post, porque habitualmente, esqueço-me sempre e sou sempre apanhada desprevenida!
Bem-haja
Beijitos

# re: abril, é já amanhã

[Remover este Comentário] Saturday, March 31, 2007 4:26 PM by bluewater68
Boa tarde Camionista,
lá diziam: 'Abril águas mil'.
Porém, como isto anda, estes velhos ditados vão deixando de fazer sentido.
E tinha duas datas muito importantes para comemorar neste Abril em que vamos entrar, o 17 e o 21.
Abraço

# re: abril, é já amanhã

[Remover este Comentário] Saturday, March 31, 2007 4:46 PM by camionista
BW:
Já vi que a imagem não lhe agradou.
Datas a comemorar: se são pessoais, espero que sejam felizes.
Se são históricas, já fui ver na Wikipédia, mas não cheguei a nenhuma conclusão.
Abraço

# re: abril, é já amanhã

[Remover este Comentário] Saturday, March 31, 2007 6:42 PM by recardenense
Vejam lá vocês que há muitos anos, os franceses até mudaram o nome da canção Coimbra, para Abril em Portugal.
Não me perguntem, qual a razão, mas é um mês, que nunca me disse nada de bom.
E não é por causa da "Revolução dos Cravos", pois essa poderia ter sido noutro mês qualquer.
Inclusivé, amanhã faz dpois anos que um irmão meu morreu, portanto é um mês que, como ps antigos diziam: Abril só deria ter um dia.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Abóboras





A minha cabeça deve encontrar-se algures por aqui.
Por favor passem com cuidado!

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Comentários

# re: abóboras

[Remover este Comentário] Monday, February 12, 2007 9:05 PM by Anahory
A minha também!!!!!
Mas, como há por aí quem gostasse de a pisar, vou ter que me disfarçar bem!!!!
AHAHAHAH!!!!
Beijos
Kiki

# re: abóboras

[Remover este Comentário] Monday, February 12, 2007 9:09 PM by zerozero
Olá Camionista
Então és tu o célebre Cabeça de Abóbora? Muito bem! Olha, eu apresento-me, sou o Cabeça de Alho Chocho!
Um abraço.
Zero

# re: abóboras

[Remover este Comentário] Monday, February 12, 2007 9:24 PM by camionista
Acho que legumes, frutas, hortaliças, deviam estar sempre na moda.
Há quem corra atrás de cenouras, fazendo figura de nabo.
Anda por aí muito marmelo.
Estes blogues por vezes convertem-se numa verdadeira salada.
A outros, em certas ocasiões, não lhes cabe um feijão preto no UC.
Misturar alhos e bugalhos é o pão-nosso de cada dia.
Há até um que está sempre fresquinho que nem uma alface.
Na falta da outra, sempre se pode recorrer à cultura da batata.
Tirar nabos da púcara é uma arte que não está ao alcance de todos.
Vá lá, sejam criativos(as). Arregacem as mangas e tragam coisas da horta!

# re: abóboras

[Remover este Comentário] Monday, February 12, 2007 9:32 PM by paton
De que ministro é que estão a falar?Será um ou serão todos?
RESPOSTA URGENTE.
BOA MALHA CAMIONERO
siempre por delante compañero
GOSTEI DO TEU POST.um abraço do joão manuel

# re: abóboras

[Remover este Comentário] Monday, February 12, 2007 9:50 PM by recardenense
Camionista:
Penso que foi como ficou a minha cabeça, ontem às cinco da matina.
Estava a dormir tão bem e toca o intercomunicador pela segunda vez. Lá me levantei e disse: está... ai desculpe, mas foi engano. Desculpe um raio...sabe que horas são para a cordar uma pessoa a um Domingo. A minha cabeça ficou feita em cabaça.
Os meus instintos primários, vieram ao de cima.

# re: abóboras

[Remover este Comentário] Monday, February 12, 2007 10:33 PM by boogie
Olá camionista
Penso que este teu post é essencialmente dedicado aos vegetarianos/as. Falas em batatas, cenouras, nabos, alfaces e até em marmelos .Faltou o pepino para a salada.
Mas, tanta abóbora!!! Observei-as melhor e pareceu-me ter já visto algumas que se assemelham à cabeça de algumas pessoas.
A propósito de abóboras. Segundo ouvi dizer as pevides das mesmas previnem os males da próstata.
Bjs
Boogie

# re: abóboras

[Remover este Comentário] Monday, February 12, 2007 10:34 PM by amargura
Boa noite Camionista,
Bem ... Como eu sou loira, não percebo a mensagem que está por de trás deste post ... Tal como outros, não me esforço, porque estou aqui para "descomprimir" como eu digo aos amigos que não percebem porque passo (perco) tempo com isto!
Diz-me lá o que está por de trás da "abóbora"?
Beijinhos

# re: abóboras

[Remover este Comentário] Monday, February 12, 2007 10:37 PM by amargura
Ah!
Já me ia esquecendo: os legumes são imprescendíveis no alimentação equilibrada, tal como as frutas ... Logo pela manhã ...
As cenouras? São magras ... Gosto do que é mais consistente, sei lá ... Não me ocorre nada!
Beijinhos
PS: Adoro tomates rachados com sal, e idem para os pepinos! E como fruta, adora a banana, comê-la politicamente incorrecta (dizem-me as amigas ....)

# re: abóboras

[Remover este Comentário] Monday, February 12, 2007 11:31 PM by camionista
amargura:
Fui espreitar a imagem, para poder responder à tua pergunta, e descobri que, por de trás da abóbora, está, nem mais nem menos do que ...
...outra abóbora!
A minha cabeça, repetida em caleidoscópio, de cabeça passa a cabaça, como bem disse o recardenense.
Tu és o máximo!
Fazes uns comentários tão terra-a-terra, parecendo que estamos aqui a conversar como velhos conhecidos, e, de repente, levantas voo, levando, nas tuas garras de águia imperial, estes pobres musaranhos desconcertados.
(estas pevides estão a incomodar-me...)

# re: abóboras

[Remover este Comentário] Monday, February 12, 2007 11:39 PM by camionista
boogie:
Os meus conhecimentos de botânica são felizmente melhores do que a minha memória.
Como fui esquecer-me desse extraordinário legume, insolente na sua simbologia, que é o pepino?
Descobres cada medicina...!!!
Jocas!!!

# re: abóboras

[Remover este Comentário] Monday, February 12, 2007 11:50 PM by camionista
kiki:
Sentes que tens a cabeça a prémio? Não duvides, minha cara. Anda(va) por aí quem te atazanava o mais que podia.
Foi-se. O que não quer dizer que não regresse. Neste mundo virtual, jogo de espelhos, nem tudo é o que parece.
Agora, o reverso. Nessa arena, eu sou espectador. Jogador. Apostador. Não tomo partido.
Bem sabes porquê. Não me conheces, mas leste a maior parte do que escrevi para esta comunidade. Sabes que não tomo partido em favor de nenhuma posição radical.
Beijos!

# re: abóboras

[Remover este Comentário] Monday, February 12, 2007 11:52 PM by amargura
Boa noite Camionista,
Claro que não te conheço ... Achas mesmo isso: levanto voo ... Bem, eu sou do Glorioso, gosto da Vitória com a qual tenho uma foto ....
Deve ser isso!
Beijinhos

# re: abóboras

[Remover este Comentário] Tuesday, February 13, 2007 12:21 AM by camionista
amargura:
Que confusão se está a criar. Eu a fazer poesia da mais fina, e a minha amiga a interpretar as minhas excelsas tiradas como sendo referências a clubes de futebol!...
O Glorioso, sim, sempre, mas a Vitória, essa, às vezes vai passar férias noutras latitudes.
Tu és a kiki? Foi a ela que eu disse que não me conhecia...
Deixas-me cada suspeita!...
Hum Hum Hum

# re: abóboras

[Remover este Comentário] Tuesday, February 13, 2007 12:28 AM by amargura
Boa noite Camionista,
Eu só respondi a isto: "Fazes uns comentários tão terra-a-terra, parecendo que estamos aqui a conversar como velhos conhecidos," ... Não sou a Kiki, não senhor!
Nada disso, eu sou muito ingénua, em meias palavras. Talvez seja melhor ser explícito ... Este teu post traz água no bico, não?
Abóboras? Só se forem meninas, para fazer o doce ... Que bom! E no requeijão, delicioso!!! É isso?
Beijinhos

# re: abóboras

[Remover este Comentário] Tuesday, February 13, 2007 12:39 AM by Oidotsuc
Eu conheci o verdadeiro cabeça de abóbora!
Hoje há vários!
E eu, muitas vezes, sinto-me um deles...

# re: abóboras

[Remover este Comentário] Tuesday, February 13, 2007 12:45 AM by camionista
amargura:
A realidade, às vezes, ultrapassa-nos.
O texto do post era para ser lido mais ou menos literalmente. Eu sou um verdadeiro cabeça-de-abóbora, seja lá o que for que isso signifique.
Mas, como se presta a interpretações, eu, que não perco a oportunidade de fazer uma 'provocaçãozinha', aproveito para...
Oh santa ingenuidade a minha! O loiro sou eu.

# re: abóboras

[Remover este Comentário] Tuesday, February 13, 2007 12:47 AM by camionista
para amargura, noutro âmbito:
Que conhecimentos culinários tens, de coisas populares, tradicionais, autênticas!
Partilha com a gente, anda!

# re: abóboras

[Remover este Comentário] Tuesday, February 13, 2007 1:10 AM by amargura
Boa noite Camionista,
Ora, eu tinha razão!!!! Havia um duplo sentido. Já estou a ficar perita nisto, não achas?
Demoro mas consegui, perceber que há duplicidade ... Porém ainda tenho de melhorar para chegar ao significado. Fica para a próxima! Não se deve puxar muito por mim: não esqueçámos que sou loira!
Bem, quanto ao teu segundo comentário: não sei nada de mais que os outros não saibam ...
Beijinhos

# re: abóboras

[Remover este Comentário] Tuesday, February 13, 2007 1:19 AM by camionista
amargura, ó amargura, não vás ainda dormir.
Não havia nenhum segundo sentido, já te expliquei. O desenvolvimento é sugerido pelas reacções dos amigos comentadores(as).
Se hace camino al andar...
Sueños felices!

# re: abóboras

[Remover este Comentário] Tuesday, February 13, 2007 1:37 AM by amargura
Boa noite Camionista,
Ainda estou aqui ...
Se tu o dizes, vou acreditar em ti ...

# re: abóboras

[Remover este Comentário] Tuesday, February 13, 2007 1:46 AM by amargura
Camionista,
Vou agora mesmo dormir, sonhar (aproveitando o desejo que me fizeste - sueños felices -!)
Eu estava a brincar contigo, espero que não tenhas ficado aborrecido. Contido, sei que o posso fazer sem ser mal-interpretada ...
Sabes o que gostava de fazer com as abóboras que o meu pai tinha lá no quintal, umas maiores do que outras: era só maldade .... Adorava, pegar nelas e deixá-las caír assim em mais nem menos! O meu pai ficava furioso ... Mesmo de adulta fazia-o, era inevitável, adorava vê-las escarapachadas no chão!!!
As abóboras meninas não .. Essas eram mesmo para fazer o doce ou para a sopa ... Mas as outras, não me continha ... Paciência!
Gostei deste bocadinho contigo! Dorme bem!
Beijinhos
PS: As minhas palavras nunca têm duplo sentido ... Talvez porque não sou realmente lusitana ...

# re: abóboras

[Remover este Comentário] Tuesday, February 13, 2007 1:57 AM by contracorrente
Onde está sua? Não me diga que também assistiu a este Conselho de Ministros.
Um abraço
Santana-Maia

# re: abóboras

[Remover este Comentário] Tuesday, February 13, 2007 9:11 AM by camionista
amargura:
Realmente intrigado desta vez, aqui o camionista.
Então não és realmente lusitana? Como assim?
Não és nenhum 'allien', espero bem...
Conta lá isso.

# re: abóboras

[Remover este Comentário] Tuesday, February 13, 2007 9:14 AM by camionista
S-M:
Bem regressado seja. Acho que esteve em viagem, assim me pareceu.
A minha cabeça?! Onde está?!
Isso queria eu saber! Já viu o tamanho do monte? E não couberam todas na foto.
AH AH AH
Um abraço!

# re: abóboras

[Remover este Comentário] Tuesday, February 13, 2007 9:17 AM by camionista
Oidotsuc:
Pois eu, como sou relativamente novo por aqui, não conheci esse personagem.
Espero que, ao menos, não tenha deixado por aqui demasiadas más recordações, senão quem se trama sou eu...

# re: abóboras

[Remover este Comentário] Tuesday, February 13, 2007 9:27 AM by camionista
Amigo paton:
Por favor, não me trate mal as pobres abóboras!
Cada coisa no seu sítio!
Nada de aproximações excessivas entre abóboras e políticos!
Entre umas e outros, deixemos uma distância democrática, mas infinita.
Não vão elas perder o sabor e, quem sabe, a própria cor da casca...
AH AH AH
Grande abraço, amigo!

# re: abóboras

[Remover este Comentário] Tuesday, February 13, 2007 9:36 AM by camionista
Não tinha respondido ao zerozero.
Mas ele, como é Cabeça de Alho Chocho, nem vai reparar.
Belo nome escolheste, amigo! Também podia servir para mim, e agora falei a sério. Atravessar a meia-idade e essas coisas.
Um abraço!

# re: abóboras

[Remover este Comentário] Tuesday, February 13, 2007 12:52 PM by Arden
Estas abóboras são de perder a cabeça. Bela foto. É do autor ?
Abraço

# re: abóboras

[Remover este Comentário] Tuesday, February 13, 2007 2:41 PM by camionista
ora, abóboras, que beleza...
Arden:
Estas abóboras, também por vezes designadas como cabaças (em castelhano 'calabazas') estavam junto a um caminho da aldeiazinha rural onde mora este seu servidor. Por acaso até pertencem a um amigo. Vai daí, o camionista, fotógrafo aficionado, 'sacou' da sofisticada câmara digital (la que siempre lleva en su bolsillo, por si acaso...) e obteve esta magnífica imagem, com o óbvio e interesseiro intuito de se candidatar a um prémio (que prémios há para fotos? Óscares não, claro!)
Quanto à autoria das fotos:
A generalidade das fotos publicadas neste blog são da modesta autoria do chauffeur, salvo alguma que, por lamentável lapso, não leva indicada distinta proveniência.
Mas vou já corrigir essa situação, editando todos os posts em que se verifique essa ilegalidade.
Um grande abraço para o meu Amigo!!!

# re: abóboras

[Remover este Comentário] Wednesday, February 14, 2007 9:16 PM by avomilu
avomilu
Camionista, venho desejar-te um dia feliz dos namorados beijos milu

# re: abóboras

[Remover este Comentário] Thursday, February 15, 2007 9:44 AM by Tozzola
Em questões de ora abóbora eu é mais é gilas, que fazem um doce que faz chorar a mulher da fava rica.
Para apimentar o comentário recomendo um molho de poejo com vinagre de vinho tinto.
Aproveitem que está a acabar a época dos preços da uva mijona
Boa viagem
Tozzola

# re: abóboras

[Remover este Comentário] Friday, February 16, 2007 12:00 AM by sininho
Mais uma vez o nosso Alentejo.
Sininho

# re: abóboras

[Remover este Comentário] Friday, February 16, 2007 12:48 AM by dissidencias
Olha camionista,
Eu ia jurar que já tinha comentado este post... Ai que cabeça de abóbora a minha...
Um abraço
dissidencias


sábado, 3 de fevereiro de 2007

Ammaia cidade




ammaiacoluna


Na primavera de 2006.

Cidade romana de Ammaia, junto a São Salvador da Aramenha, Marvão, Portalegre.

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# re: ammaia cidade

[Remover este Comentário] Saturday, February 03, 2007 10:28 PM by Tozzola
Cem comentários, ok?
Grande abraço
Tozzola

# re: ammaia cidade

[Remover este Comentário] Saturday, February 03, 2007 11:45 PM by zerozero
Olá Camionista
Bonita imagem!
Nunca tinha ouvido falar em Ammaia mas, pelos vistos, também aí ficaram vestígios da civilização romana.
Um abraço.
Zero

# re: ammaia cidade

[Remover este Comentário] Sunday, February 04, 2007 12:29 AM by camionista
amigo zero:
Agarra no todo-o-terreno, com a família dentro (não sei se é esse o perfil, mas podes adaptar) e vem visitar este espaço que referi. Depois, bem... é só percorrer também a zona de Castelo de Vide, Marvão, a Serra de S.Mamede (por favor não esquecer o Vale de São Lourenço, pergunta onde é), e assim, aberto o apetite, mudar residência para esta zona.

# re: ammaia cidade

[Remover este Comentário] Sunday, February 04, 2007 12:42 AM by Anahory
Simpática esta ideia de nos irem mostrando paisagens de Portugal.
Continua...
Beijos
Kiki

# re: ammaia cidade

[Remover este Comentário] Sunday, February 04, 2007 12:46 AM by zerozero
Olá Camionista
Eu conheço Castelo de Vide e Marvão. Aliás, o meu avô e o meu irmão estão enterrados em Castelo de Vide.
Um abraço.
Zero

# re: ammaia cidade

[Remover este Comentário] Sunday, February 04, 2007 12:58 AM by camionista
zerozero:
Nem a propósito, então...
Já agora, aproveito para deixar cair o chavão de que só aquele cantinho, e tal...
O Alto Alentejo tem, andando por aí com tempo e paciência, muito encanto para descobrir.
(camionista agente turístico!)

# re: ammaia cidade

[Remover este Comentário] Sunday, February 04, 2007 1:00 AM by camionista
kiki:
Como me parece que não largas o teclado, que tal um passeio até à minha região?

# re: ammaia cidade

[Remover este Comentário] Sunday, February 04, 2007 1:02 AM by camionista
tozzola:
queria comentar muito, ou não comentar nada?
Em qualquer dos casos, ficarei satisfeito, pois sei que, daí, sábias e comedidas palavras.
Abraço!

# re: ammaia cidade

[Remover este Comentário] Sunday, February 04, 2007 1:06 AM by paton
Eu tenho a felicidade de conhecer este testemunho
da estada da civilização ROMANA na LUSITANIA.
Obrigado pela sua difusão das grandes belesas de PORTUGAL
joão manuel gonzalez PATON

# re: ammaia cidade

[Remover este Comentário] Sunday, February 04, 2007 2:13 AM by camionista
Caro Paton:
Ainda bem que conhece.
A exploração do local mal avança. Já sabemos que aquele trabalho tem de ser paciente, mas a falta de verbas atrasa tudo.
Parece que o sítio afinal, tem muito mais para dar, segundo achados mais recentes.
A cidade era bastante grande e parece que há muita, mas mesmo muita, construção para desenterrar.
Aguardemos.

# re: ammaia cidade

[Remover este Comentário] Sunday, February 04, 2007 11:06 AM by dissidencias
Olá Camionista.
Infelizmente nunca fui para essas bandas, mas esse nome, "São Salvador da Aramenha", mais parece brasileiro. Deve haver alguma relação histórica, não? Desculpa a minha ignorância, mas ela não sabe o que diz.
Um abraço
dissidencias

# re: ammaia cidade

[Remover este Comentário] Sunday, February 04, 2007 12:05 PM by camionista
Amigo dissidencias: Abaixo alguns links relacionados com o tems do seu último comment no meu post 'ammaia cidade'. http://pt.wikipedia.org/wiki/Ammaia http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A3o_Salvador_da_Aramenha http://www.jornalfontenova.com/index.php?option=com_content&task=view&id=626&Itemid=152 http://www.rotas.xl.pt/1105/600.shtml Vale a pena vir por estas bandas. Um abraço!

# re: ammaia cidade

[Remover este Comentário] Sunday, February 04, 2007 12:27 PM by camionista
Não chegou a aparecer aqui um comentário que incluía links. Será que isso não é permitido?

# re: ammaia cidade

[Remover este Comentário] Sunday, February 04, 2007 12:34 PM by camionista
Vou pô-lo outra vez. Ai´vai:
Amigo dissidencias:
Abaixo alguns links relacionados com o tems do seu último comment no meu post 'ammaia cidade'.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ammaia
http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A3o_Salvador_da_Aramenha
http://www.jornalfontenova.com/index.php?option=com_content&task=view&id=626&Itemid=152
http://www.rotas.xl.pt/1105/600.shtml
Vale a pena vir por estas bandas.
Um abraço!

# re: ammaia cidade

[Remover este Comentário] Sunday, February 04, 2007 4:48 PM by Tozzola
Amigo camionista:
Era para ser sem comentários, mas lembrei-me que Ammaia merecia mais. Então lembrei-me de 100. Só depois é que cheguei á conclusão que não tinha capacidade para escrever tantos e coloquei CEM para rentabilizar!
Um abraço
Tozzola

# re: ammaia cidade

[Remover este Comentário] Sunday, February 04, 2007 5:42 PM by camionista
Tozzola:
V.não deixa escapar uma.
Pois, tinha dito que era agente secreto, o que explica tudo.
Quanto à Ammaia, a gente não pode fazer grande coisa, para além de falar. Mas valha-nos ao menos isso.
Acho que aquilo podia, se lhe atribuissem MEIOS, ir um pouco mais depressa, porque o que há ali é bastante mais do que se julga e parece.
Por outro lado, pode acontecer que seja aplicável a lição da pequena história (verdadeira) que vou contar.
Em Castellón, uma auto-estrada foi construída por cima de um troço de estrada romana, a Via Augusta, deixando-o soterrado. Choveram protestos dos mais variados sectores. Resposta do organismo autonómico responsável pela obra: que não estavam a ver bem, pois a melhor maneira de preservar a 'calzada' era precisamente, como aconteceu, não a trazer para a luz do sol. Que melhor garantia para isso do que construir-lhe em cima a auto-estrada?

# re: ammaia cidade

[Remover este Comentário] Sunday, February 04, 2007 6:54 PM by eduardocarneiro
Imagem fantástica.
Conheço muitas Villae ou cidades Romanas, mas não sabia da existência desta...Ammaia...
Cumprimentos.
EC

# re: ammaia cidade

[Remover este Comentário] Sunday, February 04, 2007 7:33 PM by camionista
eduardocarneiro:
O meu lado bairrista impele-me a endereçar-lhe o convite para que faça uma visita ao sítio.
Pelo que notei, e me foi realçado pelos esforçados jovens arqueólogos que cuidam do monumento, o espólio existente é enorme, embora a maior parte não tenha ainda sido posta a descoberto. Faltam os MEIOS, problema muito comum.


domingo, 17 de dezembro de 2006

nada disto faz sentido

... ou talvez faça...
Não tem importância a falta de rigor. Não deve ser tomado a sério o conteúdo do post anterior, mas apenas a sua intenção.
A paixão pelo conhecimento, entenda-se.


sábado, 16 de dezembro de 2006

monólogos

          P – Decerto não se importa que conversemos um pouco sobre o seu trabalho. Aliás, era sobre isso que estava a dissertar sozinho…

         R – Pobre dissertação solitária, monólogo sem ouvintes, solilóquio destinado ao olvido mais absoluto… É quase um prazer solitário como outros, quase uma espécie de masturbação mental. Mas também uma forma de pensar em voz alta, e uma possível modesta partilha do pouco que há para partilhar. É como grafitar paredes. Quem quiser que leia mais tarde. Ou que apague, se preferir.
         Quanto ao meu trabalho, não vejo que interesse… Bem, ia ser desonesto, e dizer que não tem nenhum interesse. Claro que tem. Não existe nenhum assunto totalmente desinteressante. Estamos sempre a entrar em contradições, mas acho que essa dialéctica tem, pelo menos, o valor de espevitar, de despertar, de consciencializar. Dar um pontapé numa pedra, e fazer disso o tema de um ensaio, não tem mal nenhum, antes pelo contrário. O pontapé já está dado, não se pode evitar. Mas um pontapé numa pedra que dá origem a um ensaio literário, se esse ensaio for obra de valor, passa a ser um acontecimento importante. E não me venha dizer que, num caso destes iria prevalecer a forma sobre o conteúdo. Em tal caso, um discurso oco não teria o mínimo valor, ponto final, parágrafo. Pode o conteúdo ser, na aparência, um esgravatar de óbvias impertinências…

(e agora, se não se importa, acompanhe-me ao restaurante, que vamos jantar. Pago eu.)

22:00

         R – Que tal lhe pareceu o jantar? Gostou?

         P – Pois não estava mal. Tenho andado a abusar da carne e a esquecer o peixe. Mas hoje…

         R – Eu também. Vamos ao que importa, se não se importa. Ah! Ah! Divirto-me com estes jogos. E você? Não vê que quase tudo se importa?...
         Deixe-me voltar ao assunto dos pontapés nas pedras. Vê como agora já tudo passou ao plural? Passamos a generalizar. Acho que a coisa promete. Está a adquirir importância. Quem sabe se, estando o pobre calhau num sítio tão exposto, não terá já sofrido o impacto de patas mais ilustres que as nossas… Quanto vocabulário de elevado calibre não terá suscitado a sua inesperada presença?

         Uma pedra, por mais tosca que seja, é uma testemunha do nosso passado. Podem ter decorrido centenas de milhões de anos desde que começou a estruturar-se a formação de que fazia parte.
Quer uma lição de geologia? Não se esqueça de que é a ciência que trata do estudo das pedras. Por isso, tome atenção. Se esta pedra apresenta uma estrutura laminar, é provavelmente um xisto. Na nossa zona existem xistos que são das rochas mais antigas que é possível encontrar na Península Ibérica. E olhe que esta península é um dos sub-continentes de maior antiguidade.
Assim como os calhaus rolados de natureza quartzítica, tão abundantes por aqui, e de cuja fragmentação resultam as enormes quantidades de areia existentes no curso inferior do Tejo, tanto no leito actual do rio como em leitos fósseis que o marginam. Mas note que essas areias não são exclusivamente quartzíticas. O Tejo, desde o seu nascimento na serra de Albarracín ou nos Montes Universales, atravessa terrenos de diversa natureza. A montante, as caliças da meseta, de onde provém os aluviões do curso médio, Toledo, Talavera. Mais abaixo, uma barreira se interpôs, a custo vencida. Cortada ao meio a serra de Miravete, passa aos granitos e xistos da Extremadura, em parte escondidos por esse imenso mar interior que é a barragem de Alcántara.
O Tejo, tal como o Guadiana, e outros, teve de vencer as barreiras quartzíticas que se interpuseram no seu curso. Veja-se as Portas de Ródão. As serras que se encontram a um lado e a outro são uma formação única, massas rochosas em ascensão, empurradas para cima pelas forças colossais da orogenia hercínica (?).
Mas o rio tinha de continuar a correr. Com maior dificuldade, é certo. É até possível que, durante muitos milhões de anos, se tenham formado lagos imensos a montante dessas formações ascendentes. As bacias de acumulação, agora já bastante erosionadas, aí estão para o provar.
 No entanto, a rocha, de tão dura, é frágil. Rompe-se, estala, solta-se em fragmentos menores, a custo arrancados do seu lugar, e logo paulatinamente arrastados para baixo, na direcção do mar, que chama a si todos os rios, e todas as coisas que estes possam levar consigo. É lícito imaginar cascatas espectaculares, e mesmo cataratas, nestes locais onde agora há lagos tranquilos de humana confecção, que já não ocultam senão uns rápidos ou pequenas cachoeiras anteriores às barragens.
Está a gostar? Veja como uma pedra, mesmo hipotética, dá para tanto assunto. E mal começámos…
Continuamos noutro dia.

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

citações recentes

Vale da Vinha, domingo, 1 de Outubro de 2006, 11:32
 
         Esta imagem foi obtida numa manhã da última primavera, a partir do local conhecido como Vale dos Coelhos. O casario em fundo é obviamente o Vale da Vinha, destacando-se, pelo seu volume, a nova igreja, ou igreja reconstruída. Esta última designação é praticamente inútil, pois do incêndio não restaram senão quatro paredes daquilo que, na realidade era apenas uma tosca adaptação do que fora em tempos o Centro de Convívio da localidade. Noutra ocasião falaremos mas detidamente sobre esta histórica transformação.
         Em primeiríssimo plano, recorta-se, no magnífico céu azul daquela manhã, um ramo queimado de sobreiro. Quase queimado, diria com maior exactidão, pois o fogo, felizmente, não foi capaz de destruir tudo. E a prova disso são as folhas verdes que o mesmo ramo ostenta, o verde e as flores na veiga em segundo plano, fruto da recuperação de que a Natureza é capaz. E não só a Natureza é capaz de recuperar, pois, como parte dela que são, também as pessoas conseguem, quando querem, erguer das cinzas pequenas ou grandes maravilhas.
       Eu não compartilho – pelo menos com convicção – da Fé da maior parte destas pessoas, ou de muitos dos seus fundamentos. Mas nenhuma delas contempla com maior alegria esta imagem.

         TRANSFORMAÇÕES
         Prometi, para mais tarde, falar das mudanças que permitiram que o centro de convívio evoluísse para igreja. Como essa história, em traços largos, não é muito difícil de contar, vou fazê-lo agora mesmo. Assim, não correrei o risco de me esquecer (que a memória está cada vez pior).
         Essas quatro paredes das que renasceu uma nova igreja pertenciam a um edifício mandado construir, há várias décadas, pela família de D. Márcia Rebello, e doada à população de Vale da Vinha, na altura maioritariamente ao serviço dessa abastada casa agrícola, para ser utilizada como centro de convívio.
         Assim foi. E desse percurso, com altos e baixos, não trata este resumo. A vida associativa da localidade, como qualquer entidade viva e dinâmica, também teve os seus sobressaltos. A História é, também, feita de agitação, mais até que de tranquilos descansos. Por isso, com maior agrado de uns e menor de outros – nem poderia nunca ser de outra forma – essa vida comunitária segue o seu rumo, agora em novas instalações, que são testemunho sólido dessa mesma evolução.
         A sede da Associação mudou, pois, a certa altura, de lugar. A antiga Sede – o edifício foi assim designado durante muito tempo – já vinha servindo, alternadamente como local de convívio e de culto religioso. Como para esta última função não havia nenhum local habilitado, pelo menos no interior da povoação, o sítio foi definitivamente consagrado àquilo que hoje, com diferente aspecto, continua a ser. Para isso contribuiu a acção de várias pessoas. Decerto não foi menos importante a do Padre Manuel Baltazar, que infelizmente já não está entre nós. Servidor da Igreja e da Cultura, pois era também professor, aliás com grande admiração recordado pelos que foram seus alunos. Era, pois, o pároco da freguesia e, sendo natural, creio, desta localidade, e aqui residente, não se podia senão esperar da sua parte esforços (discretos, pois era uma pessoa educada) nesse sentido. Algumas outras pessoas foram também exercendo a sua acção, às vezes pressão, às vezes intriga – que de tudo é preciso – para afastar de forma definitiva a componente laica que ainda podia restar ligada ao local. Que aliás já não se justificava, devo ressaltar.
         Algum ressentimento pode ainda por aí andar, mas bem guardado, pois ninguém se atreve a ir contra esta corrente. E isso dever-se-á mais a rivalidades pessoais do que a qualquer espécie de oposição a esta mudança. Alguns gostariam de ter mais protagonismo, mas só é protagonista da História aquele que aparece nela. Óbvio, não é?!
        

         O resto são factos recentes.
         Todos nos lembramos do incêndio e de como o antigo edifício ficou destruído por completo.
         E creio que ninguém discordará de mim, se disser que hoje não teríamos igreja se não fosse o Padre Adelino. Não são precisas muitas palavras.
         Obrigado, Padre Adelino!
         Uma pequena referência se impõe fazer ao Padre Adelino. Eu não frequento a igreja, não vou à missa, quando muito a casamentos e funerais. Por isso não sou uma ovelha do seu rebanho. Nem sei se me consideram uma das tresmalhadas. Mas nem isso me importa.
         O Padre Adelino é ainda jovem. Apesar disso já pode apresentar obra. E mesmo a espiritual precisa de um suporte material. Que, neste caso, ele se esforçou bastante para (re)construir.
         De resto, julgo que é uma excelente pessoa, um beirão de bom trato, que gosta de passar as tardes livres de domingo a conviver com os seus paroquianos, crentes ou não, jogando umas partidas de sueca no bar dessa mesma Associação, que agora já não funciona no local da missa. Mas a ligação permanece bem viva entre os dois locais. E é assim que tem de ser. Creio que o Padre Adelino, também aí, é um símbolo vivo.
         Outra vez, obrigado!

domingo, 26 de novembro de 2006

Travessias do Tejo

         O nome do blog é “da Beira ao Alentejo”, o que, desde logo, supõe e praticamente implica uma travessia do Tejo, motivo para o título da secção seguinte. Como subtítulo ou descrição, “impressões de um migrante”. Tem tudo a ver com mudanças, deslocações e travessias.
         Mas eu queria falar de verdadeiras travessias, ou atravessamentos, do Tejo, sem qualquer dimensão épica, visão poética ou carácter biográfico. Simples episódios, quase faits divers.
         TRAVESSIAS DO TEJO
         (com câmara-de-ar)
        
Certo dia, quando eu andava na telescola, a professora (monitora era realmente o seu título), que era pouco mais velha do que a maioria dos alunos, e gostava, como se compreende, de passar, sempre que possível, algum tempo connosco fora das quatro paredes e longe do televisor a preto e branco, resolveu planear um piquenique à beira do Tejo. Levou-se farnel e passou-se um dia óptimo, ali um pouco a montante da ponte. Havia areia, sombras de choupos e amieiros, muita água. Havia, sobretudo, muita juventude, sangue na guelra, e também alguma malandrice à mistura. Jogou-se à bola e às cartas, houve corridas, e quem sabia nadar deu umas boas braçadas, comeu-se o farnel e acho que até se bailou e namorou. Nada que não viesse a propósito, num dia para recordar com uma pontinha de saudade.
         O episódio da travessia, como disse não mais que um fait divers, foi algo de aventura irresponsável, mas também compreensível aos dezasseis ou dezassete anos de idade. Alguém levou uma câmara-de-ar, grande, das de camião. Deu uma excelente bóia e não fui o único a atravessar o rio deitado nela. É que nem me preocupou o simples facto de não saber nadar, numa zona com cerca de quinze metros de profundidade e uns cento e cinquenta de largura! Tudo correu bem, afinal, e ainda aqui estamos para contar o episódio, pois a câmara-de-ar velha nunca esvaziou. Estava em bom estado.

         Não me recordo bem de quem a levou. Mas só podia ter sido um de dois irmãos cujo pai tinha um negócio de madeiras, exploração florestal, e possuía camiões e tractores. Eram os dois meus colegas nessa escola. Recordo-me deles como excelentes rapazes e bons amigos. Agora é o que resta deles: a recordação. Ambos morreram, no auge da juventude, quando já tinham assumido as rédeas do negócio da família. O mais velho dos dois (tinham cerca de um ano de diferença) morreu no trabalho. Caiu-lhe em cima a árvore que nesse momento cortava. Passado algum tempo, foi-se o outro, num acidente de carro.
         Era para contar apenas o episódio da câmara-de-ar, mas diz-se que as conversas são como as cerejas… Não se podem evocar factos isolados. Sempre ocorrem (e acorrem) outros.
         TRAVESSIAS DO TEJO
         (com bote, e de pernas para o ar)
         Numa festa de casamento, foi-se de bote até à Quinta do Alamal.
         O episódio é o de uma convidada, já demoradamente solteira, que caiu dentro do bote, quando este chocou na margem, e ficou totalmente de pernas para o ar. Naquele tempo, apesar da moda recente da mini-saia,  pernas de mulheres, pelo menos da idade daquela, não eram coisa muito exposta, ainda menos em tal posição, de modo que ninguém ficou indiferente, nem sequer eu, que era bastante miúdo.

         TRAVESSIAS DO TEJO
         (na barca, porque já não dava pé)
         Há uns anos atrás, podam obter-se nas câmaras municipais umas licenças que permitiam apanhar peixes no rio, com uso de redes. Um vizinho nosso tinha algumas, mais a tal licença, e lá fomos para o Tejo, ali perto de Alvega, uns dois ou três quilómetros a jusante da Barragem de Belver. Éramos uns quantos: o dono das redes, eu, o meu sogro, e mais uns quatro ou cinco sócios. Alguns de nós éramos mais expeditos no manejo das redes ou na captura, à mão, dos peixes refugiados entre as pedras, outros tinham mais jeito para cozinhar uma caldeirada ou assar umas fataças, outros tinham o mérito, menos concreto, mas ainda mais estimável, de ser excelentes companheiros. Éramos um grupo heterogéneo e barulhento, disposto a um belo dia de patuscada.
         A pescaria, naquele local, por via de regra efectuava-se estando fechada a barragem, com o caudal mínimo do rio, o qual, mesmo assim, devido ao mau estado das comportas, era considerável na hora de atravessar a pé.
Aproximamo-nos pela margem esquerda, que é a nossa, e temos de pescar na margem direita, debaixo de uns amieiros e junto a uns antigos muros de pedra ali existentes. Estendem-se uma ou duas redes, os peixes ficam cercados, a maioria esconde-se nos buracos entre as pedras dos muros, mete-se ali a mão e tiram-se os peixes directamente para o saco. O método é trabalhoso e, provavelmente, ilegal, mas garanto que é eficaz e extremamente divertido.
Estávamos nós já com meio saco de belíssimos barbos, quando alguém, mais vigilante, gritou que o nível da água estava a subir muito depressa e a velocidade da corrente a aumentar. Tinham posto as turbinas da barragem a funcionar. Constatámos que sim, que era verdade, mas havia ainda muito peixe para apanhar e, gananciosos,  ficámos mais uns instantes. Claro que, quando tentámos, finalmente, ganhar a nossa margem, já não pudemos. A corrente arrastava-nos, sem que conseguíssemos manter os pés assentes no fundo. De maneira que tivemos de nos deslocar a pé, pela via-férrea, com o saco dos peixes às costas até à estação de Alvega-Ortiga, onde havia um tipo com um bote a quem se pagava pela travessia. Depois de chegar ao outro lado, tivemos que marchar novamente um bom bocado, até chegarmos junto do resto do grupo.
Mas valeu a pena, pois comeu-se e bebeu-se bem. E foi um belo dia, para recordar com saudade e alguma pena, pois o “ambiente”, agora, já não parece tão propício a tais actividades. 
Alguns mudaram de residência, os tempos são outros, as autoridades já são menos tolerantes, o rio está mais poluído, há menos peixe.
Eram bons tempos…
TRAVESSIAS DO TEJO
(na Barca da Amieira)
Uma única vez atravessei o rio nesse local. De noite, numa barca construída de chapa de ferro. Íamos em grupo, com motorizadas, para um baile na Amieira, depois de termos estado noutros em São José das Matas, ou nalguma aldeia próxima. Recordo-me de que a travessia durou pouco, o rio é ali mais estreito, e que a barca baloiçava imenso, com a água quase a roçar a borda, sob uma carga quase no limite.
TRAVESSIAS DO TEJO
(em Toledo, e mais para cima)
Se há cidade envolvida por um rio, essa é Toledo. O rio descreve um meandro enorme, a cidade está numa espécie de península, com ares de promontório num dos lados. O rio cerca, literalmente, esta cidade. Mas parece que a cidade não liga nada ao rio, olha-lhe por cima, na sua ostensiva monumentalidade.
Quando passo com o meu camião por essa zona, às vezes deixo a auto-estrada logo em Talavera. Assim, atravesso o Tejo em Albarreal de Tajo, logo outra vez ao chegar a Toledo, e ainda uma vez mais do lado oposto. E, dependendo do percurso, poderei já ter atravessado junto a Almaraz e à central nuclear. Outras vezes, vou um pouco mais acima e atravesso junto à estação de Algodor. Ou mais acima ainda, em Añover de Tajo, depois de passar à central térmica de Aceca, a tal que teve, há pouco anos, um importante derrame de combustível. Finalmente, para quem vai para o Levante, não vale a pena ir mais acima de Aranjuez. Resta ainda Fuentidueña de Tajo, se vier de Valência para Madrid, ou vice-versa. Daí para montante, mal contacto com o rio. Apenas algum dos seus primeiros afluentes, quase na nascente. E uma placa na estrada EN234 a indicar Albarracín, nome de terra e também de serra onde se diz que o Tejo nasce. Onde nasce também o Guadalaviar, mais tarde Turia, que vai de Teruel a ver o Mediterrâneo em Valência, antigamente por dentro, agora por fora da cidade, entre o porto e El Saler (mas sem água, estranhos rios que há por aqui…).

Rio Tejo

   
  
   A minha noção de rio está inevitável e definitivamente condicionada por este Tejo. Quando o vi pela primeira vez, já existia a barragem, com essa imensa quantidade de água acumulada.
   Que estranho se torna, pois, olhar agora para algum fio de água, ou nem isso, e saber que também se chama rio... Até este mesmo, à sua passagem em Aranjuez, por exemplo, não me parece mais do que uma ribeirazeca.
   É com carinho que, ao passar em Molina de Aragón (que tem este nome mas se situa em Castilla la Mancha) e depois de olhar as três torres iguais na antiga muralha, apercebo entre uns choupos um riacho, río Gallo, afluente longínquo quase nas nascentes deste meu Tejo, ali chamado Tajo. Lembro-me, de passagem, que essa água, provavelmente, nunca irá correr debaixo da ponte de Belver, pois certamente irá salvar da morte pela sede algum soalheiro pomar de citrinos em Múrcia, e para isso lá está o canal de trasvase Tajo-Segura. Logo me arranha a sensibilidade ecologista pensar que, afinal, talvez sirva antes para regar algum campo de golf nessa mesma Múrcia onde, como em tantos outros locais de Espanha (e não só), crescem os cogumelos putrefactos da corrupção autárquica.
   Mas deixemos essas águas ainda mais impuras que as que correm por este rio... O Tejo não é o mais poluído dos rios, como sabemos. Felizmente, se é que serve de consolo.