Mostrar mensagens com a etiqueta tejo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta tejo. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Cangalhas, Albardas & Angarelas


1. Albarda
Por Wendel Sousa (RJ) em 08-11-2008
1. sela grosseira com palha, que é colocada no lombo de animais de carga
2. (popular) Roupa grosseira ou malfeita
3. (figurado) opressão, vexame
(Em Espanha, o termo designa o conjunto e não apenas a sela, como em Portugal.)


Angarelas, Espécie de grade de madeira do carro de bois constituída por 2 estadulhos ligados por 2 travessas, usada para suportar  carradas de palha, de feno, de erva ou de lenha. Quando não é possível segurar o material a transportar com as angarelas, como é o caso da terra ou do esterco, recorre-se às caniças. As angarelas e as caniças seguram-se verticalmente introduzindo as respectivas extremidades nos furos dos berbiões ou cárceles.


1. Cangalha
Por Jefferson Vargas (ES) em 21-07-2008
Armação de madeira ou de ferro em que se sustenta e equilibra a carga das bestas, metade para um lado delas, metade para o outro.
O burro carregava lenha nas cangalhas todos os dias, da mata até a casa.


Os meios de transporte nem sempre foram o que são, mas podem muito bem voltar a sê-lo. Nunca se sabe. Pelo caminho que as coisas levam, nunca se sabe...
Costumávamos chamar "angarelas" ou "cangalhas", de forma mais ou menos indiferente, à tal armação (podia ser de madeira, mas também podia ser feita em trabalho de serralharia) que se colocava por cima da albarda do burro ou muar. Nessa armação colocavam-se com facilidade as cargas a transportar: sacos de batatas ou de cereal, lenha, molhos de feno, etc.
Não encontrei fotos de "cangalhas" do tipo que conheci. (Ainda tentei desenhar, mas não saíu nada de jeito.) Eram contituídas por duas estruturas contruídas em forma de "U" (nas fotos acima estão em forma de "V") e feitas com perfis (barra) de ferro forjado para lhes dar essa forma. As duas estruturas eram ligadas entre si por  correntes, assentando estas na albarda, que se protegia do desgaste colocando de permeio um saco de serapilheira ou outro material equivalente. No caso das de madeira, eram ligadas entre si por cordas ou correias.


quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Algas nossas de cada ano...

Nesta imagem recente das Portas de Ródão, é bem visível a presença de algas e outros microorganismos resultantes da eutrofização das águas do Tejo, que ocorre cada  ano por esta altura.

A água que nos chega de Espanha é cada vez menos e, nesta época do ano e em especial nos anos mais secos, isso contribui fortemente para o agravamento do fenómeno, do qual os nosso amigos espanhóis estão bem cientes.

sábado, 29 de setembro de 2012

Ausência de vestígios arqueológicos


http://imprompto.blogspot.pt/2012/09/sitios-arqueologicos-romanos-em-portugal.html

Neste mapa, há uma grande mancha quase vazia de sítios arqueológicos, mais ou menos correspondente à bacia sedimentar do Tejo, na margem esquerda e com excepção da proximidade das margens do próprio rio. Até dá a impressão de que os romanos se desinteressaram desta zona... Mas pode não ter sido bem assim. Não sendo arqueólogo, tenho uma teoria a respeito dessa "lacuna".


Os vestígios arqueológicos podem ser de diversos tipos, mas as construções, com maior probabilidade, permanecem durante mais tempo do que outros. 

Uma condição para o conhecimento da existência de sítios arqueológicos é (verdade de la Palice) que existam vestígios, ou seja: que alguém tenha deixado marcas materiais da sua presença num determinado local.

Outra condição (que se poderia incluir na primeira) é que tenham sido minimamente preservados, a ponto de permitirem a sua identificação e estudo. 

A probabilidade de existirem vestígios do tipo construtivo é tanto maior quanto maior for a presença de materiais de construção duráveis na zona ou próximo dela, a saber: 

— Sendo o transporte dos materiais extremamente difícil e oneroso em épocas anteriores ao aparecimento de veículos mecanizados e mais ainda na ausência de caminhos ou abundância de obstáculos topográficos (a distância é um deles), é de aceitar que a ausência ou escassez de vestígios arqueológicos num determinada zona não pode ser directamente relacionada com um hipotético despovoamento da mesma, sendo necessário ponderar estas condicionantes. As construções podem ter existido, mas, por ausência de materiais duráveis, não resistiram à passagem do tempo, devido a terem sido feitas com os mais facilmente erosionáveis. 
— A construção com blocos cerâmicos, sempre possível na ausência de pedras para alvenaria, desde que existisse matéria argilosa e lenha para a cozer em tijolos, seria ainda assim mais dispendiosa do que a simples taipa ou adobe, sendo por isso tanto mais improvável a sua existência quanto mais pobres fossem as populações da zona.

Sendo a bacia sedimentar do Tejo uma extensa área constituída quase exclusivamente por conglomerados aluvionares (não existem rochas "de pedreira"), estão preenchidas as condições acima expostas para a quase ausência de vestígios de ocupações ancestrais, ainda que estas possam ter tido lugar.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Linguagem popular no vale do Tejo (Mouriscas/Belver)




Recompilação, reduzida e adaptada, do excelente trabalho de recolha de vocábulos e expressões populares,apresentado pelo Sr. João Manuel Maia Alves, no seu blog MOURISCAS - TERRA E GENTES, a quem agradeço a gentileza de me ter autorizado o seu uso.

Recomendo a leitura deste blog, não na simples forma de agradecimento, mas por entender que se trata de um importante testemunho das realidades, presentes e passadas, daquela terra.

Mouriscas e Belver distam escassos quilómetros entre si. Estão na mesma margem direita do Tejo, separadas apenas pela freguesia da Ortiga. É pois natural que as gentes de ambas as terras tenham partilhado muito linguajar comum.

Retirei todas aquelas expressões que não me recordo de ter ouvido na minha terra, a maior parte delas por fazerem referência expressa a realidades locais..

De resto, as alterações efectuadas são de pormenor, acrescentando algum sentido imposto pelo uso que eu conheci.

(republicado de: http://lmpalex.blogs.sapo.pt/12136.html)

(pesquisa no blog MOURISCAS - TERRA E GENTES, com os posts relacionados:
http://motg.blogs.sapo.pt/search?q=falar+mourisquense&Submit=O)



__________________________________________







Comentários:

Isabel disse a Fri, 19 Nov 2010 16:14:01 GMT:
Olá!
Muit interesante, sem dúvida :)
Vou tentar lembrar-me de mais algumas que colocarei aqui.
Bjss


João Renato disse a Thu, 02 Dec 2010 12:42:05 GMT:
Olá,
Cheguei aqui pelo blog da Júlia.
Achei interessante porque nessa compilação localizei quatro palavras muito usadas no Brasil:
Atentar - com o mesmo sentido de importunar ou aborrecer é muito, mas muito usada mesmo, mas só no nordeste do Brasil, e geralmente quando se reclama das crianças: "Esse menino fica me atentando".
Café - no Brasil, em todas as regiões se fala "Tomar o café", referindo-se à primeira refeição do dia. Nos avisos dos hotéis, ainda colocam "Café da manhã", mas "pequeno almoço" jamais é usada.
Bofes na mão - Aqui se usa "bofes pra fora": "Fulano chegou cansado, com os bofes pra fora".
Songa-monga - Na minha casa se usava essa expressão. Mas minha família, embora seja de origem portuguesa, são todos do norte de Portugal.
Abraço,
João Renato.


Luiz disse a Thu, 02 Dec 2010 17:25:20 GMT:
Olá.
Provavelmente, nem todas as expressões aqui compiladas são de uso exclusivo na zona onde o autor as recolheu. Podem até algumas delas figurar em dicionários, embora nem sempre com o significado com que ali são usadas.