sábado, 11 de fevereiro de 2012

Resineiro

Resineiro na operação de renovar



Resineiro

Voltei então à aldeia e de novo fui ajudar o meu pai. Ele trabalhava nessa altura como resineiro e era remunerado segundo as quantidades de produto extraídas e entregues. Depressa aprendi a executar as diversas tarefas  e, embora não tivesse frequentado a formação profissional que o meu pai teve, ele transmitiu-me essa informação teórica, na qual aliás eu o ajudei, por ter maior facilidade na leitura do manual de instruções, ao mesmo tempo que eu próprio também aprendia. A formação prática foi adquirida no campo. Em pouco tempo, passei a trabalhar ao lado do meu pai sem qualquer dificuldade.
Também há que dizer que não era um trabalho excessivamente complexo, embora tivesse algumas regras importantes a seguir, especialmente no que dizia respeito às dimensões das feridas feitas nas árvores, às quantidades de ácido sulfúrico aplicadas, ao perímetro mínimo dos troncos e aos períodos definidos para as diversas fases da exploração.
Os pinheiros nos quais se havia explorado a resina resultavam menos valiosos, pois a madeira do troço inferior do tronco tinha fraca qualidade e menor aproveitamento nas serrações. Essa situação era ainda agravada no caso de a exploração ter sido feita em condições inadequadas.
O ácido sulfúrico era pulverizado sobre as feridas acabadas de fazer (chamava-se a essa operação “renovar”) e tinha o efeito de abrir os poros da madeira, permitindo a saída da resina, que nessa época era recolhida em recipientes cónicos (semelhantes aos vasos das flores) feitos de barro cozido (chamados “canecos”), e que eram apoiados, quando não estavam ao nível do solo, sobre cavilhas espetadas no tronco do pinheiro. Primitivamente, utilizavam-se cavilhas de madeira, que eram previamente preparadas em casa, a partir de pequenas ripas, de seguida afiadas com uma lâmina (muitas vezes o próprio “ferro de renovar”). Antes de serem colocadas na árvore, era necessário abrir previamente nesta uma pequena ranhura vertical para o efeito. Posteriormente, passaram a utilizar-se cavilhas de metal, as quais, por virem já prontas a aplicar, permitiam uma grande economia de tempo.
Imediatamente abaixo da sangria, (a coluna formada pela sucessão das feridas feitas no tronco), e ainda antes do início desta, era colocada uma peça de metal em forma de meia-lua, chamada bica, que permitia o escoamento da resina e ajudava ao mesmo tempo à fixação do recipiente de recolha. Para a fixação desta peça na árvore, era feita uma incisão com uma ferramenta especial de gume curvo. A mesma ferramenta, provida de um encaixe apropriado, permitia depois colocar a bica na incisão, com o auxílio de um maço de madeira relativamente pesado.
A resina era recolhida periodicamente, numa operação a que se dava o nome de colha (redução de recolha ou forma do verbo colher, com semelhante significado). Retirava-se dos canecos com o auxílio de uma espátula metálica com cabo de madeira (a colher) e ia sendo guardada nuns recipientes de folha-de-flandres, chamados caldeiros. Estes eram transportados normalmente às costas, sendo posteriormente vazados para barris ou bidões de 200 litros, os quais eram posteriormente recolhidos pelo detentor da exploração. Estes bidões, idênticos aos recipientes comerciais dos óleos lubrificantes, tinham na sua parte lateral uma abertura retangular, com uns 15x20cm, com uma tampa provida de um ferrolho. A abertura com estas dimensões permitia a introdução da resina, em estado semi-sólido ou muito viscoso, no interior do bidão, que se encontrava deitado e devidamente calçado para que não saísse do seu lugar. Com a ajuda de varas de madeira, procedia-se a mexer (misturar ou compactar) a resina sólida com a menos viscosa, de modo a aproveitar a capacidade total do recipiente. Esta operação era especialmente importante quando o tempo estava muito frio, pois a viscosidade da resina aumenta com a diminuição da temperatura, chegando a solidificar.
Como nem todas as árvores produziam a mesma quantidade de resina, deixavam-se espalhados pelo pinhal recipientes (canecos) em número que se cria suficiente para ir substituindo os que se iam encontrando quase cheios, já que o número de visitas para renova era superior ao daquelas que se faziam para a colha do produto.
No final de cada época, normalmente em Novembro, procedia-se à raspa (raspagem) da resina que, endurecendo ao escorrer, ficava agarrada ao tronco da árvore, na zona descascada. Na mesma altura, eram arrancadas todas as bicas e cavilhas, que se guardavam para reutilização na época seguinte. Esta começava com a escolha, marcação e contagem das árvores que iam ser exploradas. A operação seguinte era a remoção de parte superior da casca da árvore, a carrasca, deixando uma superfície plana e uma espessura adequada, a que se seguia a colocação das bicas, cavilhas e canecos.
Tomavam-se precauções adequadas para que a resina não acumulasse detritos, especialmente durante a operação de renova: para que a casca removida não caísse dentro dos canecos, colocava-se sobre estes uma espécie de raquete. A caruma (agulhas do pinheiro) ou pequenos ramos que sempre iam aparecendo eram retirados rapidamente em cada passagem.
A resina do pinheiro é uma substância extremamente pegajosa, em especial com temperaturas mais altas, quando fica mais fluida. Por isso, era necessário usar sempre roupas velhas, já que depressa ficavam inutilizadas. Para a remover da pele, era necessário usar petróleo de iluminação (querosene), menos agressivo, mais económico e mais fácil de obter do que os diluentes industriais.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Os quatro elementos


Além de registar uma paisagem querida, o cenário contém os quatro elementos dos filósofos da Grécia antiga.


Hoje sabemos que os elementos são muitos mais.


No entanto, antes que a ciência se desenvolvesse, registavam-se apenas aqueles que os sentidos podiam perceber (e que, afinal, já não são elementos, mas meras construções da nossa percepção sincrética, conjuntos de elementos que tendemos a perceber como um todo, pela simples razão de que as leis do Universo, pelo menos aqui neste cantinho, tendem a mantê-los agrupados).

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Rascunho ingénuo







O capitalismo globalizou-se, concentrou-se em muito poucas mãos, organizou-se, não todo ele, mas com a dimensão que lhe dá o poder suficiente para derrubar governos de países e até de continentes
Na questão das dívidas, o capital tem razão, ou parte dela: ele próprio resulta da acumulação, e acumulação é, de certo modo, poupança
Mas essa acumulação é excessiva
Toda a poupança ou acumulação, por natureza, é sempre feita à custa de outrem
Tudo o que se possui deixa de ser possuído por outrem
É lógico que assim seja:  Quem conquista possui
Mas isso é a lei do mais forte
Esta lei é natural e não pode ser eliminada
Aliás tem de ser acarinhada
A competição é necessária: sem competição não há avanços; a desnecessidade de competir anularia a vontade de fazer esforços
O extremo da competição é a guerra, quando o sucesso significa a eliminação do adversário (figura nem sempre clara, apesar de os ditadores sempre tentarem fazer um desenho nítido)
Mas os homens QUANDO CONSCIENTES sabem que a guerra, apesar de lhes estar no sangue, apenas serve para que alguns enriqueçam à custa da eliminação dos outros
Quando conscientes sabem que, organizados, podem progredir melhor
A organização não é o nivelamento
A organização serve essencialmente para evitar que uns cometam excessos sobre os outros
A organização tem de cuidar para que não seja tomada por pequenos grupos não representativos: toda a gente tem de estar representada.
O dinheiro era uma ferramenta para os homens poderem fazer trocas entre si
Mas a posse de muito dinheiro confere muito poder
Os poderosos detentores de dinheiro têm o poder suficiente para dominar e escravizar todos os que o não têm
Como o fazem? Através do endividamento
A sociedade da abundância e do bem-estar é uma armadilha
Queremos cada vez mais coisas
Por isso trabalhamos cada vez mais e temos cada vez mais coisas
Enquanto trabalhamos, o capital apropria-se das mais-valias, ou seja, não distribui tudo aquilo que criamos para ele
Mas esse capital fica nas mãos de umas poucas pessoas
Actualmente privadas, particulares.
Em tempos, existiu um simulacro de controlo público da riqueza acumulada, mas era apenas um simulacro: na realidade, apenas alguns acediam a esse controlo, escravizando os restantes
Parece que a riqueza sempre escraviza
Assumamos então isso como inevitável
Tenhamos como certo que sempre seremos um pouco escravos de outrem
O problema reside apenas no efeito de autoalimentação dessa relação de poder
É necessário um mecanismo regulador, algo como o regulador centrífugo de James Watt, impedindo que a velocidade suba ou desça de certos limites
Esse mecanismo tem de estar sob o controlo e vigilância de todos
O que acontece agora é que esse mecanismo - o valor do(s) dinheiro(s) - se encontra sob o controle apenas dos que possuem esse mesmo dinheiro e eles usam-no para escravizar os restantes, incentivando-os a endividarem-se excessivamente para em seguida os dominarem
Foi assim que fizeram, é assim que continuam a fazer
O capital global (ou parte dele) decidiu que os países da zona Euro se estavam a descuidar com o endividamento e que era altura de lhes deitar a mão: quem se descuida no meio do rio ainda é comido pelos crocodilos
No meio disto, a Alemanha tem um papel duplo: por um lado, é pressionada para não cair na mesma armadilha do restantes membros do grupo que controla. Robusta, aproveita a sua força para fazer com os de baixo aquilo que lhe fazem os de cima: pressiona e, se for o caso, espezinha.
Tudo se encaixa: segundo alguns observadores empíricos, os alemães são extremamente "graxas", borram-se de medo do chefe, ao mesmo tempo que espezinham o subordinado.
Os países que aderiram ao euro (alguns, pelo menos) cometeram um erro tremendo de ingenuidade: o de que, neste mundo, alguém dá alguma coisa a outrem
Esqueceram que não há almoços grátis
Subsídios traduziram-se em dependência, através de endividamento e redução das produções próprias
Quem não se acautelou tramou-se
Por seu lado, nos países subsidiados, as "elites" predadoras apoderaram-se da maior parte possível desses subsídios em benefício próprio
Teoricamente, destinavam-se, por um lado, a compensar os abandonos de produção exigidos; por outro, a reconverter a economia.
Subsidiava-se o arranque das oliveiras existentes para dar lugar a olivais novos, adaptados à apanha mecânica da azeitona, ou algo do género. Mas o arranque, só por si, já dava direito a subsídio. Então, fazia-se o arranque e, com o dinheiro do subsídio recebido, comprava-se um BMW, aliás alemão. Quanto ao olival novo, logo se veria, caso viesse mais subsidio.
Subsidiaram-se sementeiras de girassol que nunca foi, nem se destinava a ser, colhido, a menos que, por acaso e fortuna, desse uma boa produção.
Etc, etc
Bmw, range rover, mercedes, vivendas, cruzeiros, lagosta e garotas exóticas.
Toda essa despesa deu lugar a lucros em algum lado
E gerou endividamento: uma vez adquirido o hábito de gastar, com crédito fácil à disposição, foi um ver se te avias…
A classe política foi-se amanhando. O melhor era ir aderindo à moda e granjear um pé-de-meia
E isso está mal, muito mal, há que castigar
Mas as famílias são grandes. Algum familiar nosso, ou do nosso vizinho, ou de um amigo nosso, por azar, terá de ter estado envolvido nalgum esquema, ou beneficiou dele indirectamente, ou é primo do secretário ou do ministro, quiçá até os juízes tenham pena dele e dêem razão aos excelentes advogados que contratou, ou até se está nas tintas porque o seu esquema é outro, ou não se quer meter em chatices porque parece mal denunciar (por cá é que parece mal: não esquecer que os alemães, e outros europeus mais a norte, denunciam tudo o que se passa à sua volta, nem precisam de polícia...)
...
(no fim, o autor adormeceu)

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

O espelho de água

 

O açude insuflável de Abrantes.  
A notícia a que recorri já tem quase dois anos, mas mantém-se tão actual que é como se fosse de hoje mesmo.
No final do texto da notícia, surge esta pérola:
"Ainda assim", afirmou Maria do Céu Albuquerque, "o açude foi construído com um fim específico que é o de servir o turismo activo e de lazer", tendo assegurado "estudar a possibilidade" de manter o açude em baixa "desde que a barragem de Belver também permita um caudal e um espelho de água constante".
Ou seja: acima de qualquer outra consideração, está o "espelho de água".
Remete-se para a Barragem de Belver a responsabilidade de manter um caudal mínimo que, com o açude em baixo, permita manter esse mesmo espelho de água. Isto é algo impossível, como sabemos, e todos nos recordamos de como era aquela zona antes do açude. Nunca ali existiu algo que se parecesse com o actual espelho de água. Subindo o nível do rio, por aumento do caudal, crescia também a velocidade da corrente. Baixando um pouco o caudal, o que se via era um areal e um fio de água. E as descargas da Barragem de Belver são feitas segundo as necessidades de produção de energia e as disponibilidades de água na albufeira, que por sua vez dependem do caudal libertado pela Barragem de Alcântara, em Espanha, e, em menor medida, do funcionamento das barragens de Cedilho e do Fratel.
Das duas, três: ou o jornal transcreveu mal as palavras da senhora presidente, ou eu percebi mal, ou tais declarações são apenas um belo exercício de cinismo por parte de quem apenas se preocupa com o seu cantinho e os outros que paguem as favas.
Os pescadores bem pediram, mas não foram servidos:
«Neste contexto, os representantes da comunidade piscatória pediram recentemente à presidente da Câmara de Abrantes para que mantenha as comportas do açude "abertas" entre os meses de Dezembro e Maio, "já a partir deste mês", para que o peixe siga o seu percurso tradicional e chegue à aldeia ribeirinha.» (na notícia acima referida)



Esta foto é da semana passada. O espelho de água está lá.
O que não está, no rio, na zona a montante, são os peixes.
Os pescadores não foram ouvidos.
Não parece que a Câmara possa ignorar estes problemas, pois houve vereadores que alertaram para eles nas reuniões do executivo municipal:
(Sabe-se que as palavras dos vereadores das oposições costumam encontrar ouvidos moucos, mas isto está escrito.)
Nesta outra notícia, ainda do tempo do anterior presidente e “pai da criança”, já se falava de alguns problemas:
”o que acontece é que esta obra não está a permitir a circulação dos peixes da zona a jusante do açude para a zona a montante, pois a passagem é muito curta para uma diferença de cota na ordem dos quatro metros”.
Este blogue andou a batalhar sobre o tema e outros relacionados:
Uma coisa que eu gostava de saber é se há alguma relação entre este açude e uma eventual proteção à atividade de extração de inertes que é praticada no local. Com efeito, existem ali duas pontes (uma rodoviária, outra ferroviária), sendo que ambas são de construção semelhante à de Entre-os-Rios, a que causou uma tragédia quando caiu, ao que parece devido a importantes alterações no fundo arenoso do rio, provocadas precisamente pela excessiva e descontrolada extração de areias. O açude poderia ajudar a proteger as fundações das pontes, sem pôr em causa a continuidade da extração de inertes. Mas isto já seria especular…


A cidade de Abrantes não é dona do rio Tejo. Tem o direito de usufruir dele, mas, no exercício desse direito, não pode colocar em causa o equilíbrio ecológico do próprio rio.


 

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

As "Cataratas do Bal Couvo"

http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2011/12/27/jovem-caiu-nas-cataratas-de-bal-couvo-em-gaviao-sofreu-ferimentos-graves-e-foi-resgatado-com-sucesso

 Agora, que o pior já passou, talvez já "não pareça mal" fazer alguns considerandos, não apenas sobre o tema central da notícia, mas também noutros âmbitos a propósito dela.

Os feridos já foram resgatados, os seus ferimentos não eram, felizmente, tão graves quanto pareciam a princípio.


Fica uma lição a extrair (eventualmente entre outras): a irresponsabilidade sempre foi e há-de continuar a ser, um fator de risco e, quando este se concretiza em acidente, também o é de custos para os envolvidos e para a sociedade em geral. Não se trata aqui de culpabilizar ninguém em especial. Nessa matéria, haja quem atire a primeira pedra. A irresponsabilidade (que terá estado na origem do acidente) também pode estar associada (por muito que haja quem não goste de o admitir) à brincadeira, à aventura, à juventude. É assim, como sempre foi e esperamos continue a ser. O que há que fazer é formação (em casa, na escola, nas associações e grupos) e prevenção (identificação, delimitação, arranjo e vigilância das zonas perigosas e seus acessos).


É curioso o impacto da designação do local tal como está no título e como foi referida (sem exceção que eu visse) por todos os OCS. Só hoje, no Correio da Manhã, é que já aparece uma grafia mais correta, Vale Côvo. Percebe-se perfeitamente que as informações transmitidas oralmente (ao telefone, rádio) possam resultar nesses desajustes ortográficos.
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/portugal/podia-ter-sido-uma-tragedia

Os esclarecimentos do comandante dos Bombeiros, contidos na notícia, são importantes, porque alertam as pessoas para os riscos que podem correr ao acederem inadvertidamente a estes locais potencialmente perigosos.


E tivemos aqui um exemplo da abnegação destes soldados da paz, que arriscaram a sua integridade física no cumprimento dos trabalhos de resgate e são, por isso, merecedores da nossa homenagem.


O caso deu-se numa zona relativamente desconhecida do centro de Portugal. Há quem já lhe chame sul, mas isso é outra questão. Basta ver o mapa. Sabe-se que o vértice geodésico da Milriça está situado a 2km a NNE de Vila de Rei e o centro geográfico (melhor dizendo: geométrico) não estará muito longe dali, segundo diversos cálculos. O local do acidente (as famosas "Cataratas do Bal Couvo") está a apenas 30/31km a SE do vértice geodésico de Vila de Rei, junto ao rio Tejo, na margem esquerda. Em resumo: fica junto ao Gavião. Daí ser centro e não sul. Diz-se que é sul por estar situado no Alentejo.


Aproveitando a notoriedade do sucedido, sugere-se que as características "radicais" deste sítio sejam aproveitadas (se é que isso não está já previsto) para eventual articulação com rotas pedestres a passar naquela zona ou com a própria utilização da albufeira da barragem. Está aliás em andamento um projeto bem próximo (percurso pedestre e moinhos das ribeiras das Barrocas e de Alferreireira).


Sabe-se, até, que a Câmara está a trabalhar nisso, como se pode ver por esta acta:
http://www.cm-gaviao.pt/municipio/camara_municipal/actas/acta_201111.pdf 




A propósito: onde é que ficam exatamente as cataratas (talvez cascatas?) de Vale Covo?

sábado, 29 de outubro de 2011

Euro-ridículo

The Never-Ending Eurofiasco


by MIKE WHITNEY

Imagine if the local fire chief, in the spirit of conservation, decided he’d use no more than 1,000 gallons of water to put out any given house fire. Do you think the citizens would support that policy if their town was burned to the ground? And, yet, this is the same approach that eurozone leaders are using to address the debt crisis. The central bank (ECB) has virtually limitless resources (Think: printing press) to defend the debt of the individual states and to act as lender of last resort, but the eurocrats won’t hear of it. They refuse to use the ECB as every other central bank in the world is used. They’d rather reinvent the wheel by creating a funky, improvised emergency fund (European Financial Stabilization Facility or EFSF) that’s massively leveraged and which only provides a 20 percent “first-loss” guarantee on sovereign bonds. So, for example, if Italy goes belly-up in the next year or so and can’t repay its debts, then Mr. bondholder gets a whopping 20 cents on the dollar. Such a deal!


(...)

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

REPRESA ROMANA (GAVIÃO)





Represa romana
RIBEIRA da Represa (Gavião)




      Da represa romana que existiu naquele local (junto à EN118, no limite entre os concelhos de Gavião e de Abrantes), resta apenas um pedaço de muro. A construção da ponte que se vê na foto (entretanto já substituída) causou importantes danos nos vestígios existentes.(*)


    Especula-se que esta represa poderia ter servido para abastecer de água a cidade romana de Aritium Vetus, cuja localização exata não está determinada.


      A existência desta cidade na zona é tida como certa (**).


 (*) Referências no Estudo de Impacto Ambiental (páginas 10 e 17) efectuado para a variante à Estrada Nacional EN118 (não executada), que pode ser encontrado em:

(**)Notas de arqueologia, epigrafia e toponímia – II, JORGE DE ALARCÃO

domingo, 2 de outubro de 2011

A Mão Escondida

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     Não é nada inocente a preferência por um modelo de sociedade ultraliberal, baseado na supremacia absoluta do livre-arbítrio individual, na defesa intransigente do direito ilimitado à propriedade privada, na rejeição em abstrato da tutela do Estado, em favor de estruturas organizacionais de base voluntária e na convicção de que os diversos intervenientes, se deixados a interagir livremente entre si, chegarão a situações e soluções de compromisso muito melhores do que aquelas que é possível obter num sistema tutelado pelo estado democrático organizado. 

      Essa imagem idílica esconde, deliberadamente ou não, a realidade – por todos nós hoje e sempre observada – de que a ausência de mecanismos regulatórios globais leva a que exista livremente um efeito gravitacional autoalimentado na riqueza e no poder, concentrando-os cada vez mais num menor número de mãos, acentuando as desigualdades e a injustiça, podendo conduzir, no extremo, a uma sociedade global totalitária completamente escravizada por um pequeno colégio de ditadores - algo semelhante, por outro lado, ao que acontece quando o Estado totalitário corta rente toda a iniciativa individual.

--- ««« . »»» ---

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Um pouco de História



Mouzinho da Silveira

José Xavier Mouzinho da Silveira, político liberal e estadista português, esteve aqui refugiado de perseguições políticas, tendo sido acolhido por um agricultor de Margem, o seu amigo Manuel Lopes da Maia. Veio a ser sepultado nesta freguesia, por vontade sua expressa em testamento.





quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Moinhos de água da Ribeira de Eiras



PEQUENO RESUMO SOBRE OS MOINHOS DE ÁGUA


Os moinhos de água são engenhos accionados pela força motriz da água. Têm presença em Portugal ao longo de vários séculos. São conhecidos moinhos com rodízio a partir do século 2 a.C., invenção da engenharia Grega. Assim sendo, são construções com mais de 2200 anos.
Quase sempre, são construídos com materiais existentes no local; a pedra para as paredes e a madeira para vigas e barrotes de apoio na cobertura.
Estão localizados nas margens dos rios ou ribeiras com caudal suficiente para os mover.
A água é conduzida para o moinho através de levadas.
O declínio
Os moinhos de água encontram-se presentes por todo o território nacional com maior incidência no norte e centro do País, pois estas são as regiões onde os rios e ribeiras reúnem melhores condições (maior declive e mais caudal de água). Em meados do século passado (1950/1960) com a implantação das moagens industriais, accionadas a electricidade ou a motores de combustão, foi alterada por completo a actividade dos moinhos de água. Os moinhos iniciaram uma paragem forçada, os açudes deixaram de fazer represa, as levadas e agueiras entopem, os rodízios a seco empenam e deformam-se.
Actualmente não há continuidade na profissão de moleiro. Poucos sabem picar as mós, meter água, acertar cunhas e saber da finura da farinha
Recordações
Hoje, há poucos moinhos a moer, se o fazem, certamente foram recuperados para a história “os moinhos de água em Portugal”. Os meus avós exerceram a profissão e mestria de moleiros por mais de 60 anos (1910/1970). Os meus avós tiveram 4 filhos, por esse motivo, o moinho foi dividido em 4 semanas (cada filho tinha uma semana de moinho).
Os filhos; o meu pai e tios, pouco moeram. Eu, ainda criança, acompanhei por vários anos a laboração do “nosso moinho”, muitas vezes adormeci ao som/barulho do movimento das mós e do bater suave da água no rodízio. Vi a finura e a pureza da farinha. Comi pão de milho, trigo e centeio com farinha do nosso moinho. Presentemente o moinho está degradado e impossível de restaurar, restam apenas 4 paredes e pouco mais.
Esta é a réplica fiel, recordação do meu moinho:



Vocabulário


1- Açude; construído em pedra, serve para represar a água do rio ou da ribeira
2- Levada; canal com origem no açude, transporta a agua até á represa.
3- Represa; local junto ao moinho onde é recebida a água da levada.
4- Agueira; canal condutor de água, passa por baixo do moinho e desce da represa até ao rodízio.
5- Cubo; cabouco na parte inferior do moinho onde está o rodízio
6- Seteira; peça existente ao fundo da agueira (tubo por onde sai a água)
7- Zorra; peça móvel de apoio ao rodízio (fica por baixo do rodizio)
8- Pejadouro; Tábua/calha que comanda a direcção da água (faz parar o moinho)
9- Disparado, comando do pejadouro, é comandado dentro do moinho, manual ou por falta de grão na moega
10- Rodízio; roda com movimento horizontal (ligado á mó por um veio)
11- Pedra; mó em granito (mó inferior fixa, mó superior móvel)
12- Mó; tem aproximadamente 35 anos de duração
13- Cunhas de agulha; tacos reguladores para controlo da finura da farinha
14- Moega, peça em madeira onde é colocado o grão para moer,fica por cima da mó
15- O grão cai do moega para o quelho. No quelho prende-se o cadelo/roda em cortiça ou madeira, que, em contacto com a parte superior da mó faz trepidação, e assim, o grão cai para o olho da pedra, isto de acordo com o registo. O grão é esmagado/moído e transformado em farinha.
16- Maquia é o pagamento do serviço para moer o grão. De um modo geral, por cada 10 litros de grão era maquiado com 1 quilo de farinha.
17- Medidas tradicionais do moinho são; o alqueire, meio alqueire e a quarta, (são peças em madeira e com capacidade para 12 quilos, 6 quilos e 3 quilos respectivamente.
18- O moleiro tem como outros utensílios, a balança decimal, a peneira, o crivo, a massaneta e pico a vassoura e a pá etc.
19- No interior do moinho pode ver-se; a cama, a lareira, candeias de azeite, talegos, medidas várias, roupa, louças, cântaro etc. etc.


Obs.
Beira Baixa.
Na ribeira de Eiras (afluente do rio Tejo) numa extensão de 15 quilómetros existiam em 1950 catorze moinhos de água. O último a funcionar (moer) foi em 1978. Em 2008 não há qualquer moinho. Tudo foi abandonado e destruído pelo tempo.
Hoje só resta esta réplica do meu moinho “o moinho do Vale de Ferreiros”


Artur Gueifão/2008

Texto e imagem da autoria de Artur Gueifão.
Visitar o site de Artur Gueifão
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Notas minhas:

rodízio

do Lat. * roticinu, em forma de roda
s. m., - peça do moinho em cuja extremidade estão as penas (travessas) que a água põe em movimento, promovendo o andamento da mó;

(ver fonte)


Alguns itálicos foram introduzidos por mim, bem como algum arranjo gráfico do texto (parágrafos).

Alguns dos termos utilizados em “Vocabulário” poderão ter ligeiras diferenças ortográficas que não prejudicam a sua compreensão, p.e. talego por taleigo.
Não consegui confirmar o termo massaneta (por maçaneta ?).