quarta-feira, 7 de março de 2012

As focas perdem sempre



Num mar de tubarões ou numa savana de hienas não há lugar para a candura.

O caso do ministro que veio do Canadá tem várias soluções possíveis:

1) Substituí-lo por um mais cooperante com os poderes e os privilégios há muito instalados.
2) Substituí-lo por alguém que os tenha realmente pretos e seja capaz de travar esses poderes e esses privilégios.
3) Mantê-lo, retirando-lhe os poderes decisivos.

Resta saber, no caso desta última solução, que parece ter sido adoptada para evitar o escândalo político maior da segunda (e, mais do que isso, a inconveniência), que que uso vão fazer desses poderes.

Quanto ao professor, sem a pasta "do Fomento", que está ele lá a fazer?... Já foi comido.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Trash moon





Remoção do lixo espacial?!

Que tal transformar todo o lixo num único satélite?

Existem muitos objectos orbitando a Terra. Uma parte deles são satélites em serviço.

A outra são os satélites que já não estão em serviço, bem como toda a tralha espacial que são os destroços de colisões, ferramentas perdidas, etc...

Usando as leis da gravitação, seria possível alterar a órbita e velocidade de cada um destes objectos, de modo a juntá-los? Isso resultaria num corpo espacial único, uma espécie de lixeira espacial que se manteria coesa por acção da própria gravidade. Paralelamente, uma ou mais naves pequenas e de grande mobilidade funcionariam como vassouras ou aspiradores espaciais, encaminhando o lixo para esse depósito orbital.

Novos satélites possuiriam obrigatoriamente um sistema que, no final da sua vida útil, os encaminharia para a órbita mais conveniente para o sistema de remoção.

O custo, possivelmente muito elevado, desse sistema seria suportado, obviamente, pelas entidades que procedem ao envio de objectos para o espaço. Por quem mais?




Distracção ao volante

http://i.dailymail.co.uk/i/pix/2011/07/07/article-2012188-07A70B5F000005DC-568_468x313.jpg



««« Ninguém deve ficar dentro do carro imobilizado, numa auto-estrada, nem junto do mesmo.
Inexplicavelmente, há uma qualquer tendência para que os outros carros que circulam, embatam no veículo imóvel. . . »»»


Esta recomendação faz parte de uma mensagem que tem andado por aí a circular no correio electrónico e na blogosfera.


"Inexplicavelmente"?!
Não é tão inexplicável assim.
Muitos condutores adquirem uma tendência para apontar a direcção do carro ao sítio para onde olham, tendência que é tanto mais forte quanto maior for a atenção aí concentrada. Se forem a pé, provavelmente também desviarão a sua trajectória quando olham para o lado. Em qualquer dos casos, possivelmente, não se limitarão a olhar de relance, mas mudarão a postura corporal, girando a cabeça na direcção do foco de atenção.


História relacionada

Recordo-me de um acidente que tive, felizmente sem consequências pessoais:
Eu ia no lugar do pendura de um camião. O condutor tinha acabado de parar para comprar umas sardinhas para o jantar (há uns anos atrás, ainda existia a venda ambulante de peixe). Guardou o saco de plástico com as sardinhas ao seu lado, mas esqueceu-se de o fechar. Já em andamento e com a trepidação, os peixes acabaram por se espalhar. Isso provocou o gesto reflexo de os apanhar, o que implicava baixar-se (e também olhar). Foi o que bastou para o camião sair da estrada. Felizmente, o local não era demasiado perigoso. Mesmo assim, partiu uma oliveira pelo tronco, amachucou a parte da frente e, na cabina, ficaram espalhadas, não só as sardinhas, mas também os bancos, pessoas e bagagem existente.



sábado, 25 de fevereiro de 2012

Quem manda é a vida

Os meus sogros têm uma idade bastante avançada. Ela não se pode deslocar sozinha. Ele pode, mas um pequeno acidente vascular diminuiu-lhe algumas faculdades. Contudo, insiste em continuar a cuidar da horta e dos animais que ainda possui.
Perante uma observação minha contra o que me pareceu ser empenho excessivo dele em certas tarefas, o comentário da mulher foi este:

"Quem manda é a vida!"

Curto e directo.
É um axioma. Ela não fez a frase na altura. Mas aprendeu-a ao longo da vida, talvez a tivesse ouvido dos seus pais os dos seus avós. Com aquilo, ela sublinhava que o que ele estava a fazer não era excessivo, nem era senão o cumprimento das obrigações a que se sentia sujeito. Pode-se discordar da importância dessas obrigações, mas não retirar-lhe o direito de as avaliar segundo a sua própria perspectiva.


Apesar da seca, fomos plantar (insistem em dizer semear, que se há-de fazer... há até a "batata de semente", que não é semente nenhuma...) alguns regos de batatas. A mim cabia-me naturalmente abrir os regos, enquanto ele dispunha os pedaços de batata cortados. De vez em quando, a "semente" acabava-se e ele ia buscar mais. Pois quando chegava, se não me encontrasse no local, começava ele de imediato a cavar.

Quem manda é a vida...

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

ARITIUM VETUS

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Para ver detalhes sobre esta cidade romana, cuja localização mais provável é assinalada nesta foto, consultar o site Portugal Romano, que tem feito um meritório trabalho de divulgação do património de origem romana em Portugal.


sábado, 11 de fevereiro de 2012

Resineiro

Resineiro na operação de renovar



Resineiro

Voltei então à aldeia e de novo fui ajudar o meu pai. Ele trabalhava nessa altura como resineiro e era remunerado segundo as quantidades de produto extraídas e entregues. Depressa aprendi a executar as diversas tarefas  e, embora não tivesse frequentado a formação profissional que o meu pai teve, ele transmitiu-me essa informação teórica, na qual aliás eu o ajudei, por ter maior facilidade na leitura do manual de instruções, ao mesmo tempo que eu próprio também aprendia. A formação prática foi adquirida no campo. Em pouco tempo, passei a trabalhar ao lado do meu pai sem qualquer dificuldade.
Também há que dizer que não era um trabalho excessivamente complexo, embora tivesse algumas regras importantes a seguir, especialmente no que dizia respeito às dimensões das feridas feitas nas árvores, às quantidades de ácido sulfúrico aplicadas, ao perímetro mínimo dos troncos e aos períodos definidos para as diversas fases da exploração.
Os pinheiros nos quais se havia explorado a resina resultavam menos valiosos, pois a madeira do troço inferior do tronco tinha fraca qualidade e menor aproveitamento nas serrações. Essa situação era ainda agravada no caso de a exploração ter sido feita em condições inadequadas.
O ácido sulfúrico era pulverizado sobre as feridas acabadas de fazer (chamava-se a essa operação “renovar”) e tinha o efeito de abrir os poros da madeira, permitindo a saída da resina, que nessa época era recolhida em recipientes cónicos (semelhantes aos vasos das flores) feitos de barro cozido (chamados “canecos”), e que eram apoiados, quando não estavam ao nível do solo, sobre cavilhas espetadas no tronco do pinheiro. Primitivamente, utilizavam-se cavilhas de madeira, que eram previamente preparadas em casa, a partir de pequenas ripas, de seguida afiadas com uma lâmina (muitas vezes o próprio “ferro de renovar”). Antes de serem colocadas na árvore, era necessário abrir previamente nesta uma pequena ranhura vertical para o efeito. Posteriormente, passaram a utilizar-se cavilhas de metal, as quais, por virem já prontas a aplicar, permitiam uma grande economia de tempo.
Imediatamente abaixo da sangria, (a coluna formada pela sucessão das feridas feitas no tronco), e ainda antes do início desta, era colocada uma peça de metal em forma de meia-lua, chamada bica, que permitia o escoamento da resina e ajudava ao mesmo tempo à fixação do recipiente de recolha. Para a fixação desta peça na árvore, era feita uma incisão com uma ferramenta especial de gume curvo. A mesma ferramenta, provida de um encaixe apropriado, permitia depois colocar a bica na incisão, com o auxílio de um maço de madeira relativamente pesado.
A resina era recolhida periodicamente, numa operação a que se dava o nome de colha (redução de recolha ou forma do verbo colher, com semelhante significado). Retirava-se dos canecos com o auxílio de uma espátula metálica com cabo de madeira (a colher) e ia sendo guardada nuns recipientes de folha-de-flandres, chamados caldeiros. Estes eram transportados normalmente às costas, sendo posteriormente vazados para barris ou bidões de 200 litros, os quais eram posteriormente recolhidos pelo detentor da exploração. Estes bidões, idênticos aos recipientes comerciais dos óleos lubrificantes, tinham na sua parte lateral uma abertura retangular, com uns 15x20cm, com uma tampa provida de um ferrolho. A abertura com estas dimensões permitia a introdução da resina, em estado semi-sólido ou muito viscoso, no interior do bidão, que se encontrava deitado e devidamente calçado para que não saísse do seu lugar. Com a ajuda de varas de madeira, procedia-se a mexer (misturar ou compactar) a resina sólida com a menos viscosa, de modo a aproveitar a capacidade total do recipiente. Esta operação era especialmente importante quando o tempo estava muito frio, pois a viscosidade da resina aumenta com a diminuição da temperatura, chegando a solidificar.
Como nem todas as árvores produziam a mesma quantidade de resina, deixavam-se espalhados pelo pinhal recipientes (canecos) em número que se cria suficiente para ir substituindo os que se iam encontrando quase cheios, já que o número de visitas para renova era superior ao daquelas que se faziam para a colha do produto.
No final de cada época, normalmente em Novembro, procedia-se à raspa (raspagem) da resina que, endurecendo ao escorrer, ficava agarrada ao tronco da árvore, na zona descascada. Na mesma altura, eram arrancadas todas as bicas e cavilhas, que se guardavam para reutilização na época seguinte. Esta começava com a escolha, marcação e contagem das árvores que iam ser exploradas. A operação seguinte era a remoção de parte superior da casca da árvore, a carrasca, deixando uma superfície plana e uma espessura adequada, a que se seguia a colocação das bicas, cavilhas e canecos.
Tomavam-se precauções adequadas para que a resina não acumulasse detritos, especialmente durante a operação de renova: para que a casca removida não caísse dentro dos canecos, colocava-se sobre estes uma espécie de raquete. A caruma (agulhas do pinheiro) ou pequenos ramos que sempre iam aparecendo eram retirados rapidamente em cada passagem.
A resina do pinheiro é uma substância extremamente pegajosa, em especial com temperaturas mais altas, quando fica mais fluida. Por isso, era necessário usar sempre roupas velhas, já que depressa ficavam inutilizadas. Para a remover da pele, era necessário usar petróleo de iluminação (querosene), menos agressivo, mais económico e mais fácil de obter do que os diluentes industriais.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Os quatro elementos


Além de registar uma paisagem querida, o cenário contém os quatro elementos dos filósofos da Grécia antiga.


Hoje sabemos que os elementos são muitos mais.


No entanto, antes que a ciência se desenvolvesse, registavam-se apenas aqueles que os sentidos podiam perceber (e que, afinal, já não são elementos, mas meras construções da nossa percepção sincrética, conjuntos de elementos que tendemos a perceber como um todo, pela simples razão de que as leis do Universo, pelo menos aqui neste cantinho, tendem a mantê-los agrupados).

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Rascunho ingénuo







O capitalismo globalizou-se, concentrou-se em muito poucas mãos, organizou-se, não todo ele, mas com a dimensão que lhe dá o poder suficiente para derrubar governos de países e até de continentes
Na questão das dívidas, o capital tem razão, ou parte dela: ele próprio resulta da acumulação, e acumulação é, de certo modo, poupança
Mas essa acumulação é excessiva
Toda a poupança ou acumulação, por natureza, é sempre feita à custa de outrem
Tudo o que se possui deixa de ser possuído por outrem
É lógico que assim seja:  Quem conquista possui
Mas isso é a lei do mais forte
Esta lei é natural e não pode ser eliminada
Aliás tem de ser acarinhada
A competição é necessária: sem competição não há avanços; a desnecessidade de competir anularia a vontade de fazer esforços
O extremo da competição é a guerra, quando o sucesso significa a eliminação do adversário (figura nem sempre clara, apesar de os ditadores sempre tentarem fazer um desenho nítido)
Mas os homens QUANDO CONSCIENTES sabem que a guerra, apesar de lhes estar no sangue, apenas serve para que alguns enriqueçam à custa da eliminação dos outros
Quando conscientes sabem que, organizados, podem progredir melhor
A organização não é o nivelamento
A organização serve essencialmente para evitar que uns cometam excessos sobre os outros
A organização tem de cuidar para que não seja tomada por pequenos grupos não representativos: toda a gente tem de estar representada.
O dinheiro era uma ferramenta para os homens poderem fazer trocas entre si
Mas a posse de muito dinheiro confere muito poder
Os poderosos detentores de dinheiro têm o poder suficiente para dominar e escravizar todos os que o não têm
Como o fazem? Através do endividamento
A sociedade da abundância e do bem-estar é uma armadilha
Queremos cada vez mais coisas
Por isso trabalhamos cada vez mais e temos cada vez mais coisas
Enquanto trabalhamos, o capital apropria-se das mais-valias, ou seja, não distribui tudo aquilo que criamos para ele
Mas esse capital fica nas mãos de umas poucas pessoas
Actualmente privadas, particulares.
Em tempos, existiu um simulacro de controlo público da riqueza acumulada, mas era apenas um simulacro: na realidade, apenas alguns acediam a esse controlo, escravizando os restantes
Parece que a riqueza sempre escraviza
Assumamos então isso como inevitável
Tenhamos como certo que sempre seremos um pouco escravos de outrem
O problema reside apenas no efeito de autoalimentação dessa relação de poder
É necessário um mecanismo regulador, algo como o regulador centrífugo de James Watt, impedindo que a velocidade suba ou desça de certos limites
Esse mecanismo tem de estar sob o controlo e vigilância de todos
O que acontece agora é que esse mecanismo - o valor do(s) dinheiro(s) - se encontra sob o controle apenas dos que possuem esse mesmo dinheiro e eles usam-no para escravizar os restantes, incentivando-os a endividarem-se excessivamente para em seguida os dominarem
Foi assim que fizeram, é assim que continuam a fazer
O capital global (ou parte dele) decidiu que os países da zona Euro se estavam a descuidar com o endividamento e que era altura de lhes deitar a mão: quem se descuida no meio do rio ainda é comido pelos crocodilos
No meio disto, a Alemanha tem um papel duplo: por um lado, é pressionada para não cair na mesma armadilha do restantes membros do grupo que controla. Robusta, aproveita a sua força para fazer com os de baixo aquilo que lhe fazem os de cima: pressiona e, se for o caso, espezinha.
Tudo se encaixa: segundo alguns observadores empíricos, os alemães são extremamente "graxas", borram-se de medo do chefe, ao mesmo tempo que espezinham o subordinado.
Os países que aderiram ao euro (alguns, pelo menos) cometeram um erro tremendo de ingenuidade: o de que, neste mundo, alguém dá alguma coisa a outrem
Esqueceram que não há almoços grátis
Subsídios traduziram-se em dependência, através de endividamento e redução das produções próprias
Quem não se acautelou tramou-se
Por seu lado, nos países subsidiados, as "elites" predadoras apoderaram-se da maior parte possível desses subsídios em benefício próprio
Teoricamente, destinavam-se, por um lado, a compensar os abandonos de produção exigidos; por outro, a reconverter a economia.
Subsidiava-se o arranque das oliveiras existentes para dar lugar a olivais novos, adaptados à apanha mecânica da azeitona, ou algo do género. Mas o arranque, só por si, já dava direito a subsídio. Então, fazia-se o arranque e, com o dinheiro do subsídio recebido, comprava-se um BMW, aliás alemão. Quanto ao olival novo, logo se veria, caso viesse mais subsidio.
Subsidiaram-se sementeiras de girassol que nunca foi, nem se destinava a ser, colhido, a menos que, por acaso e fortuna, desse uma boa produção.
Etc, etc
Bmw, range rover, mercedes, vivendas, cruzeiros, lagosta e garotas exóticas.
Toda essa despesa deu lugar a lucros em algum lado
E gerou endividamento: uma vez adquirido o hábito de gastar, com crédito fácil à disposição, foi um ver se te avias…
A classe política foi-se amanhando. O melhor era ir aderindo à moda e granjear um pé-de-meia
E isso está mal, muito mal, há que castigar
Mas as famílias são grandes. Algum familiar nosso, ou do nosso vizinho, ou de um amigo nosso, por azar, terá de ter estado envolvido nalgum esquema, ou beneficiou dele indirectamente, ou é primo do secretário ou do ministro, quiçá até os juízes tenham pena dele e dêem razão aos excelentes advogados que contratou, ou até se está nas tintas porque o seu esquema é outro, ou não se quer meter em chatices porque parece mal denunciar (por cá é que parece mal: não esquecer que os alemães, e outros europeus mais a norte, denunciam tudo o que se passa à sua volta, nem precisam de polícia...)
...
(no fim, o autor adormeceu)

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

O espelho de água

 

O açude insuflável de Abrantes.  
A notícia a que recorri já tem quase dois anos, mas mantém-se tão actual que é como se fosse de hoje mesmo.
No final do texto da notícia, surge esta pérola:
"Ainda assim", afirmou Maria do Céu Albuquerque, "o açude foi construído com um fim específico que é o de servir o turismo activo e de lazer", tendo assegurado "estudar a possibilidade" de manter o açude em baixa "desde que a barragem de Belver também permita um caudal e um espelho de água constante".
Ou seja: acima de qualquer outra consideração, está o "espelho de água".
Remete-se para a Barragem de Belver a responsabilidade de manter um caudal mínimo que, com o açude em baixo, permita manter esse mesmo espelho de água. Isto é algo impossível, como sabemos, e todos nos recordamos de como era aquela zona antes do açude. Nunca ali existiu algo que se parecesse com o actual espelho de água. Subindo o nível do rio, por aumento do caudal, crescia também a velocidade da corrente. Baixando um pouco o caudal, o que se via era um areal e um fio de água. E as descargas da Barragem de Belver são feitas segundo as necessidades de produção de energia e as disponibilidades de água na albufeira, que por sua vez dependem do caudal libertado pela Barragem de Alcântara, em Espanha, e, em menor medida, do funcionamento das barragens de Cedilho e do Fratel.
Das duas, três: ou o jornal transcreveu mal as palavras da senhora presidente, ou eu percebi mal, ou tais declarações são apenas um belo exercício de cinismo por parte de quem apenas se preocupa com o seu cantinho e os outros que paguem as favas.
Os pescadores bem pediram, mas não foram servidos:
«Neste contexto, os representantes da comunidade piscatória pediram recentemente à presidente da Câmara de Abrantes para que mantenha as comportas do açude "abertas" entre os meses de Dezembro e Maio, "já a partir deste mês", para que o peixe siga o seu percurso tradicional e chegue à aldeia ribeirinha.» (na notícia acima referida)



Esta foto é da semana passada. O espelho de água está lá.
O que não está, no rio, na zona a montante, são os peixes.
Os pescadores não foram ouvidos.
Não parece que a Câmara possa ignorar estes problemas, pois houve vereadores que alertaram para eles nas reuniões do executivo municipal:
(Sabe-se que as palavras dos vereadores das oposições costumam encontrar ouvidos moucos, mas isto está escrito.)
Nesta outra notícia, ainda do tempo do anterior presidente e “pai da criança”, já se falava de alguns problemas:
”o que acontece é que esta obra não está a permitir a circulação dos peixes da zona a jusante do açude para a zona a montante, pois a passagem é muito curta para uma diferença de cota na ordem dos quatro metros”.
Este blogue andou a batalhar sobre o tema e outros relacionados:
Uma coisa que eu gostava de saber é se há alguma relação entre este açude e uma eventual proteção à atividade de extração de inertes que é praticada no local. Com efeito, existem ali duas pontes (uma rodoviária, outra ferroviária), sendo que ambas são de construção semelhante à de Entre-os-Rios, a que causou uma tragédia quando caiu, ao que parece devido a importantes alterações no fundo arenoso do rio, provocadas precisamente pela excessiva e descontrolada extração de areias. O açude poderia ajudar a proteger as fundações das pontes, sem pôr em causa a continuidade da extração de inertes. Mas isto já seria especular…


A cidade de Abrantes não é dona do rio Tejo. Tem o direito de usufruir dele, mas, no exercício desse direito, não pode colocar em causa o equilíbrio ecológico do próprio rio.